terça-feira, 25 de julho de 2017

Extremo cuidado ao transferir para a corretora!

Olá amigos, hoje trago uma dica importante que tenho certeza que todos tomam como de saber garantido.

Quando fazemos uma transferência para a corretora de valores, devemos enviar um comprovante pelo sistema do site para que alguém identifique a operação e passe a grana para sua conta, afinal eles devem receber milhares de transferências por dia, dependendo do porte da instituição.

Eu mesmo já passei por momentos em que quase esqueci de enviar o comprovante, achando que havia feito a transferência e estava tudo certo, pois estava ouvindo música ou fazendo qualquer outra coisa junto. Então sugiro que observem sempre bem se o processo findou certinho, e que só transfiram mais dinheiro quando a última estiver na sua conta da corretora, para evitar confusão.

Essa é mais uma obrigação sua. A corretora quer mais é que você esqueça de enviar o comprovante.

Este mês, sem aviso algum, minha corretora modificou o modo de transferência e até onde sei não avisou. Só fui ver ao acionar seu chat para cobrar um valor que transferi a alguns dias. No fim deu tudo certo, mas imagino o número de pessoas que mesmo tendo enviado o comprovante não vai nem notar que seu dinheiro, provavelmente nunca cairá na conta.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

A farsa do "somos todos líderes".

Recentemente me enviaram um monte de livros de negócios em formato digital, daqueles focados em liderança como "Quem Mexeu no Meu Queijo". Ainda não o li pra criticar, e no pacote parece ter alguns bons como um do Brian tracy que é um autor que admiro.

Na verdade eu nem gosto de criticar os métodos de desenvolvimento dos outros, mesmo livros que eu acho toscos (e nem li) por variados motivos. O livro Pai Rico Pai Pobre por exemplo, foi, talvez, o mais importante que li e antes disso achava que seu conteúdo era bobagem. 

Mesmo assim estava pensando se ler eles atualmente ia me somar em alguma coisa e quem é realmente o público alvo desse tipo de livro.

As pessoas que conheci que gostavam e recomendavam estes livros eram geralmente estudantes do primeiro semestre de administração ou auxiliares de escritório sem uma imagem clara do que queriam se tornar, ou mesmo pessoas que recomendavam a leitura de "o segredo", portanto sempre me afastei deles.

Lembrei que quando era criança nos anos 90 sempre se falava muito em sermos lideres, que eramos líderes, que seríamos os líderes de amanhã, etc. Todo mundo era líder, ninguém era proletário. Uma verdadeira esquizofrenia. Nunca levamos aquilo muito a sério pois soava como o "empreendedorismo de palco" da época.

Na verdade a gente sabia que eramos um bando de estudantes medianos de escola pública do interiorzão, que os país tinham dificuldade de por comida na mesa e mesmo assim cobravam que a gente fosse um tipo de exemplo.

Tinhamos poucos exemplos de pessoas admiráveis. Pra ajudar, pessoas ricas ou com algum atributo interessante eram vítimas de fofocas e críticas que diminuíam seus atos. Acho que isso mina a vontade de alguém de ser exemplo e empurra pra mediocridade, onde é mais confortável. De onde eu vim, falhar nos negócios, por exemplo, tornava a pessoa indigna.

Na época de fazer vestibular, nem sequer acreditávamos poder passar na universidade federal ou em um curso de profissão respeitável como medicina ou engenharia civil. Acho que 90% dos meus conhecidos daquele tempo que obtiveram nivel superior fez o curso direito.

Eu acho que esses livros de liderança tem lições importantes assim como qualquer fábula, mas depois de formada sua personalidade o máximo que você vai tirar dali é uma sensação de ter acertado quem é o assassino numa história de suspense. A pessoa vai lendo e diz: "aha! Eu sabia! Agora é só sair liderando". Mas neste assunto em específico, se a pessoa não tiver inclinação natural, é difícil mudar. Os únicos patetas que vi se transformarem em líderes foram os amigos que passaram pelo Exército.

Concluindo acredito que o único modo de formar um líder seja constantemente testar e desafiar a pessoa, para que ela se torne capaz por mérito e não por direito natural. Isso está na cultura dos USA que é altamente competitiva, e por isso os americanos sempre terão vantagem em relação aos outros povos.



sábado, 22 de julho de 2017

Conheça o blog do HenriqueCimento

Bom dia amigos,

Consegui trazer um amigo da vida real para a blogsfera de finanças. Ele tem coisas bem interessantes pra contar e enfrentará uma odisseia pra sair da pobreza. Atualmente ele está desempregado e falido, em meio a um projeto que não tem dado muito certo (coisa completamente normal na vida) e enfrenta uma enorme pressão por ter uma namorada europeia a qual planeja construir uma vida junto.

O Cimento tem como objetivo morar em um país legal, e teria diversas opções para isso não fosse também ter de levar em conta os interesses de sua mulher escandinava e o enorme gasto energético e de tempo que eles terão por serem falantes línguas estranhas. 

Assim como eu, ele deseja tirar o sustento de alguma profissão honrada e que produza resultados materiais, largando de uma vez por todas o mundo dos escritórios que não geram valor pra ninguém. A diferença entre nós dois é que ele não pode se dar ao luxo de errar muito e dispender muito tempo como aprendiz mal-remunerado. Talvez no futuro vocês que desejam saber mais sobre como se tornar um carpinteiro ou algo do tipo tenham outra referência mais próxima da sua realidade.

Vou deixar um link direto na barra superior do meu blog para que vocês acompanhem as aventuras dele.

Agora chega de papo furado. É dia de desafiar o rio Tejo. Tomei café da manhã, mas só vou comer hoje o que conseguir pescar. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ponderando sobre tatuagens

Tatuagens fazem parte da nossa cultura já a muitos anos. O que por muito tempo era comum apenas entre marinheiros e pessoas vistas como a escória da sociedade, acabou por se popularizar do mesmo modo como as drogas: através das celebridades.


Algumas culturas veem como símbolos de status e coragem, enquanto em outras é proibido por ser uma violência ao corpo. O fato é que é algo permanente (até existem tratamentos caros de despigmentação mas ninguém considera usá-los), então é necessário ponderar muito tempo sobre o assunto caso seja sua vontade fazer uma. 

A pouco tempo houve uma polêmica na internet por uma subcelebridade ter tatuado um braço todo de preto. Não adianta, você sempre será julgado pelos outros e a tatuagem serve justamente para isso, é uma tentativa de moldar a impressão que os outros tem de você. É um sinal no sentido literal da palavra.

Sempre digo, ao invés de tatuar algo, faça uma camiseta com o desenho e use até enjoar. Até porque os sinais que você quer mandar hoje podem, e provavelmente não vão ser os mesmos daqui a alguns anos.

Tenho tatuagens e pretendo ter algumas mais, mas em locais que não me prejudiquem socialmente. Como eu sempre digo, preconceito existe em todo lugar e não estou nem ai se acontecer comigo, mas eu aceito as regras do jogo.

É importante fazer com um profissional que siga a risco as questões sanitárias e estudar sobre o processo de cicatrização para ter um bom resultado. Essas coisas são sua obrigação. Se for fazer uma, observe os trabalhos anteriores e peça referências. Jamais tatue com iniciantes e artistas que nunca evoluíram.

Tatuagem é um gasto totalmente desnecessário e mesmo assim uma coisa que quase todo mundo tem. Isso é um fato observável importante. Geralmente damos mais importância à nossa aparência que à segurança financeira.

Você possui tatuagens? O que pensa a respeito?

terça-feira, 18 de julho de 2017

CF e o risco de perder o emprego

Olá amigos e visitantes, 

A duas semanas atrás como lhes contei, trabalhei naquelas casas pré-moldadas fazendo tudo o que envolvia de carpintaria (fabrico e instalação dos painéis externos, encaixe do telhado, montagem de roupeiros, etc). Foi trabalho pesado, mas andou tranquilo e produzimos muito.



Retornamos à minha cidade no sábado à tarde, totalizando incríveis 63 horas de trabalho, pois segunda e terça tinhamos um compromisso de reforçar as vigas e expor as paredes antigas de uma casa em reformas, o que fizemos em tempo record.


A "Cruz de Santo André" é um método construtivo desenvolvido após o grande terremoto de Lisboa a fim de tornar as edificações mais resistentes.

Como o "empreiteiro nervosinho" descrito em um post anterior está com trabalho atrasado, solicitou nossa ajuda, a qual decidimos prover pelo resto da semana e mais outra (a semana em que estamos), portanto decidimos retornar ao canteiro de obras dele para mais.

Lá tudo estava correndo bem uma vez que ele fazia rodízio de maus tratos entre dois de seus empregados (um deles brasileiro, e outro é um coroa que descrevi que realmente deve depender do emprego) até que na sexta-feira (retornaríamos no sábado) ele decidiu ficar em volta de mim despejando dicas e críticas. O trabalho que eu estava fazendo era um chão de encaixar bem fácil de fazer (já tive a oportunidade de fazer um praticamente igual e um bem mais difícil, que tinhamos de marretar pra encaixar) portanto eu já tenho um método decente de trabalho.

Neste tipo de chão se coloca uma manta protetora embaixo do piso pois qualquer pedrinha que não se tenha varrido transfere ao piso uma deformidade. Já começou ai o incômodo pois me mandaram fazer de qualquer jeito para acelerar no tempo. Somado a vários outros incomodos que suportei sem qualquer problema, o cara decidiu dizer que não estava valendo a pena eu estar lá, pois ele paga um pouco mais a um carpinteiro oficial do que paga para mim.

Quer dizer, fica na minha garganta que como ajudante tenho que parar meu trabalho pelo menos uma vez a cada 10 minutos para ajudar alguém (nesse local ajudo quem estiver precisando) a levantar alguma coisa ou a buscar algo e ainda preciso render como se estivesse em uma coisa só. 

Desta vez fiquei ofendido pois eu trabalho, não sou um mendigo. Onde eu não for necessário prefiro não estar presente, pois a chance de passar por qualquer humilhação gratuita é bem mais alta.

Também me passou pela cabeça deixar o cara que eu ajudo, que simplesmente não consegue trabalhar sem um ajudante (levantar coisas pesadas, fazer encaixes e adiantar trabalhos mais "robóticos" na metade do tempo) trabalhar sozinho e demonstrar mais uma vez o quanto eu sou necessário (se eu realmente for).

Esperei alguns minutos para decidir o que fazer, uma vez que estava longe de casa e só voltaria no outro dia, e resolvi chamar o nervosinho me chatear mais uma vez para conversarmos. 

Assim foi. Quando o homem veio me chamar a atenção por qualquer motivo e eu o interrompi e disse: "escuta fulano, eu vi já que você não está gostando do meu trabalho, que prefere pagar um oficial, então eu trabalho até o almoço e vou pegar minhas coisas lá na casa. As 17h (tinha uma carona) volto. Não vou mais trabalhar pra ti". Ele não respondeu absolutamente nada e esperou um momento de distração meu pra evaporar.

Algum tempo depois o cara que eu ajudo pediu pra eu ficar pois não ia conseguir fazer trabalho pesado (o que ele tinha prometido terminar no sábado), e eu disse que não ia mais trabalhar pra esse outro cara. Ele ficou chateado pois foi seu primeiro patrão aqui em Portugal e gosta de manter uma semana por mês com ele para caso passe algum tempo sem trabalhos ter pra onde correr.

Eram quase 11h e eu simplesmente comecei a cagar pro trabalho e me fazer de surdo (que nem um empregado do nervosinho faz quando já está puto hauhauah) até meio dia. Almocei, retornei à casa, tomei um banho tranquilo, assisti TV e peguei minha carona pra casa.

Pois bem, esta semana estou em casa curtindo uma folga. Vou esperar até o final de semana para ver se vou continuar auxiliando esse camarada durante três semanas por mês ou se isso não lhe serve (pra mim já serve financeiramente), e procurar outro trabalho.

É isso amigos. Pra mim é fácil chegar aqui e escrever que se deve ser positivo e tudo mais e esconder que também me acontecem humilhações e chatices diversas, mas isso não vai servir a ninguém de nada.

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CF, o pescador

Cresci em uma cidade do interior onde tive acesso à zona rural. Uma das habilidades que desenvolvi foi pescar. Uma época eu ia todos os finais de semana... Como era bom levar aquelas traíras como troféu pra minha mãe fritar, principalmente porque na época a gente era pobre pra caramba.

Sempre vi o pessoal aqui em Portugal pescando na beira dos rios e beira mar. Isso era impensável para mim no Brasil onde quase todos os rios e praias são poluídos. Eu até pescaria se tivesse a chance, mas teria receio de comer, (como se o peixe comprado viesse de um local mágico). Me informei e parece que aqui é limpo. Só é necessário pagar uma licença e começar a pescar toda semana. Ontem mesmo comprei o equipamento necessário, sob críticas do velhote vendedor que não acha possível pescar como eu aprendi (linha de fundo, bóia, chumbada, empate e anzol). Preparei tudo e vou desafiar as bestas submarinas em breve.

Pescar é um desafio à honra e à inteligência. Se você não for esperto e paciente volta pra casa derrotado e com fome, desde nossos ancestrais que viviam nas cavernas é assim. Até minha mulher tem dúvidas de que vou conseguir e no final de semana escrevo aqui quem venceu.


terça-feira, 11 de julho de 2017

O que você faz profissionalmente é o suficiente?

Olá amigos,

A uns dias atrás estava assistindo a um video no YouTube do canal "Samurai Carpenter" onde o autor dá sua opinião sobre valer ou não a pena seguir a carreira de carpinteiro. Entre seus argumentos citou algumas dificuldades financeiras que podem vir para um profissional da área na região em que ele mora do Canadá, caso este já tenha despesas com uma família.

Para quem compreende inglês, o vídeo tem alguns pontos interessantes para qualquer profissão, como algumas diferenças na progressão da carreira como empregado, subcontratado ou empreiteiro. Também sobre como conseguiu progredir com a ajuda de um sócio (seu tio) e da esposa. Afinal, nenhum homem é uma ilha.


Por fim o ponto de interesse para o post foi que o Carpinteiro Samurai recomenda a qualquer aspirante que, se quiser alcançar um nível de sucesso relativo e patamar financeiro confortável como ele, será necessário ser mais que um carpinteiro. Na verdade, nos dias de hoje deve-se ser mais que qualquer coisa uma vez que o diploma não é nem de perto garantia de sucesso. Simples assim.

Escolha a carreira certa (link) ou este conselho será válido para você também. 

Segundo o Samurai, muito pouca gente alcança sucesso fazendo apenas uma coisa. É necessário criar e aprender a fazer bem feitas variadas coisas além de não desistir fácil. Um conselho cliché, mas totalmente verdadeiro (não se esqueça que meu blog é também de auto-ajuda barata). Ele disse que além de bom carpinteiro, vende ferramentas, projetos, é investidor, proprietário de casas de aluguel, empreendedor, inventor, professor, fotógrafo e etc.

Eu já havia tratado disso por cima (neste post). Na minha opinião existem caminhos mais seguros para a tranquilidade financeira e quem aposta unicamente na carreira com quase 100% de certeza vai chegar aos 65 dependendo do INSS. 

Meus "gurus" do sucesso tratam disso com frequência. Arnold Schwarzenegger a despeito do sucesso que alcançou em variados campos, trabalhou em muitas coisas (instrutor físico, atleta, investidor imobiliário, pedreiro, vendedor de cursos por correspondência, ator...), obtendo inúmeras falhas no percurso.

Quem conhece a biografia de Gene Simmons sabe das dezenas de trabalhos que ele fez em diversos ramos e ainda faz, desde vendedor à inventor, passando por músico, escritor, datilógrafo, designer, produtor, etc, e das dezenas de horas extras e anos sem tirar férias (ok, aqui eu apelei), também passando por incontáveis derrotas e desilusões nos variados campos.

O famoso Bastter fala em um de seus videos sobre constantemente desenvolver-se em variadas áreas que gerem valor pois as profissões saem de moda e ficam obsoletas. 

Pense nisso e não seja um "one trick pony". É importante ter pelo menos três fontes de renda. Nosso amigo Lawyer Investidor escreveu (aqui) sobre um assunto que devemos ponderar diariamente: o que você faria ao perder o emprego?

Jhon pilotava veículos de milhões de dólares e hoje não arruma emprego estacionando carros.

Até agora já trabalhei em muitos ramos e apesar dos meus objetivos claros na carpintaria, que acredito que vão trazer um decente retorno financeiro e no resto, não tenho ilusões de riqueza sem me manter ativo em outras empreitadas.

sábado, 1 de julho de 2017

Porque decidi virar construtor

Um leitor perguntou-me no último post por que motivos larguei meu ramo de formação para virar carpinteiro. Decidi fazer um post mais completo e assim deixar claro aos que tiverem a mesma curiosidade. Segue:

Me explique uma coisa CF. Você vem de uma área intelectual mas agora é carpinteiro? Por que fez isso? Necessidade ou vontade de aprender? Ou os dois? Porque saiu dessa outra área intelectual?


Olá anon, é exatamente isso, tornei-me carpinteiro, ou por enquanto um ajudante de carpinteiro.


Fiz isso por uma série de motivos. Sempre me interessei por construção civil, minha família materna é toda do ramo (engenheiros, mat. Construção, olaria, imobiliária...) mas meus pais me afastaram com unhas e dentes do ramo por ser algo fisicamente demandante e repleto de pessoas sem instrução (sonhavam que eu estudasse direito). Talvez isso tenha me revoltado pois eles são cultos e qualificados porém pobres até hoje, além de sempre terem sido bastante infelizes em seus trabalhos.

Antes de seguir um parêntese. Minha mãe abriu mão de viver na Europa quando jovem para ficar com meu pai. A medida em que fui amadurecendo, vi que tinha melhores resultados seguindo meu instinto e observação que as dicas profissionais de pessoas sem sucesso.

Sou mais um dos inúmeros enganados pela indústria do ensino superior, e naturalmente fui me voltando à construção desde os primeiros terrenos que tive a sorte de comprar e vender com lucro anos atrás (descrevi aqui no blog). Também descrevi outras experiências, como a compra, reforma e venda de um kitnet, trabalho como pintor (vi que estes conseguiam fazer meu salário em duas semanas), etc. 

Atualmente, graças a anos de trabalho, poupança e frugalidade minha e de minha esposa e também por morar em Portugal, onde se vive bem com pouco dinheiro, não somos mais dependentes do salário (me refiro não a viver de nossa renda passiva, mas poder apelar a ela caso necessário).

Portanto pude me dar ao luxo de dedicar-me a aprender uma nova profissão, tanto por afinidade (prefiro carpintaria à outras áreas da construção, quanto pelo meu objetivo: saber o suficiente para me tornar mestre de obras e controlar o feitio de minhas próprias casas).

Não sou inocente a ponto de recomendar que as pessoas larguem seus empregos e se tornem carpinteiros ou pedreiros, tem muita coisa envolvida. Dito isso vejo hoje que estaria nesse ramo tendo ou não minha modesta renda passiva, e para alguns amigos próximos que demonstram amor a esse tipo de trabalho recomendo sim que larguem tudo logo e persigam uma carreira neste ramo, que é ótimo.

Li o livro do Arnold Schwarzenegger em 2013, onde ele descreveu ter feito fortuna tanto na construção e reforma quanto no trade imobiliário. Isso me motivou bastante assim como o Pai Rico Pai Pobre do Kiyosaki, que é essencialmente sobre enriquecer com imóveis. Sobre este livro em particular, vi os dois lados em primeira mão: eu havia sido vítima do "pai pobre" a vida inteira, enquanto que em volta de mim sempre houve um "pai rico" (meu avô) o qual sempre tive receio de seguir os conselhos - para você ter uma ideia, eu preferi terminar a faculdade e me tornar empregado a abrir uma empresa de esquadrias de metal que ele havia me proposto, por um medo irracional impingido desde a infância de ser um desqualificado. Isso ainda me torturava a até algum tempo atrás. 

A mudança compensa financeiramente pois sou um profissional mediano (pra ruim) na minha área de formação e desde a faculdade tenho zero interesse em fazer carreira nela, tanto que buscava cursos em outras áreas correlatas esperando que o mercado os valorizasse e me premiasse com um emprego decente em outra coisa. 99% dos formados na minha área faz um salário igual a alguém sem formação alguma, e pior, tem poucas opções. A maioria dos meus ex colegas está desempregado ou ganha menos de 1500 reais. Qualquer ajudante de pedreiro ganha mais que isso de onde venho.

Gente de obra ganha bem e tem um leque de opções que lhes permite estar exposto à empreitadas mais lucrativas aqui e ali, diferente das pessoas comuns que dependem de poupar bastante e investir por muitos anos como se vivessem uma "vida renda fixa". Esse caráter também me agrada. A "sorte premia os audazes", e eu sempre fui audaz o suficiente pra ser sortudo. Se você é leitor de meu blog sabe que tenho repulsa à ser empregado, pois nesta condição meu esforço jamais foi premiado.

Ainda nesta questão tive uma conversa sobre o lucro líquido na construção de uma casa popular, especialidade dos meus tios e fiquei revoltado ao saber que eles, engenheiros civis, além de socialmente poderosos e admirados, lucravam líquido construindo uma casinha em 3 meses o que eu conseguia poupar em um ano ou mais, e este era o trabalho mais simples que eles executavam fora a venda de lotes.

Além da parte financeira algo que me motivou muito foi a sensação de liberdade e total independência de chefes bundões e colegas insuportáveis comuns no ambiente corporativo. Qualquer um que trabalhe com construção pode, caso queira, ficar em casa assistindo Chaves e Sessão da Tarde caso tenha o serviço adiantado que não vai perder o emprego.

Nos últimos anos fui bastante influenciado sobre aquele papo de "parar de sobreviver e começar a viver" e pela filosofia Objetivista de Ayn Rand. Foi ai que finalmente deixei de ser um cagalhão preocupado com escola, notas e carreira encaixotada e vi que tinha pouco tempo para realizar meus sonhos e tudo ia depender de eu ser corajoso e disciplinado mais do que um comprador de diplomas.

Ayn Rand

Enfim, ao longo da vida tive muitas confirmações de que é um excelente ramo financeiramente, que atende bem meus objetivos de vida, e finalmente suprimi os últimos preconceitos em relação a trabalhar nisso. Entendo totalmente sua dúvida e anos atrás eu mesmo faria esta mesma pergunta com espanto. Na verdade, muitos pedreiros tem recalque e acham que quem tem faculdade ganha bem e não faz nada. Eu tenho como vantagem conhecer os dois lados. 

Estou tendo total apoio de minha esposa como sempre, e isso ajuda imenso.

Enfim coloquei "construtor" ao invés de carpinteiro no título pois meu objetivo é tornar-me uma espécie de empreiteiro e não só trabalhar com madeira. Isso é possível para quase qualquer homem saudável no Brasil. Há cinco anos eu não conseguiria nem mesmo conceber esta ideia. 

Um abraço e "buona fortuna" a todos. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Seja espaçoso e domine o ambiente

Olá amigos, 

Mais uma semana de trabalho se encerra amanhã, e recebo a notícia que na próxima semana trabalharemos para o empreiteiro chato que pegou no meu pé esses dias, novamente hospedados em outra cidade por provavelmente duas semanas (retonamos nos finais de semana). O tempo é propício à trabalhos em áreas turísticas e o melhor é que trabalhamos 11 horas por dia com esse cara, além do almoço e jantar em restaurante e quarto em pousada fuleira de praia na conta dele. O lado ruim é ficar longe de casa e trabalhar no sol.

Para os que não lembram, o cara me escolheu por ser o mais moderno, para criticar absolutamente tudo no meu modo de trabalhar e mandar fazer 5 coisas ao mesmo tempo, não me permitindo terminar nada.

Minha resposta natural foi ficar com cara de c* e retrucar com veemência suas críticas, afim de tornar minha presença próxima desagradável a ele. Esta tática surtiu efeito, principalmente da metade para o fim da semana quando comecei a falar em voz alta que ele era um "baita fdp", não me deixava terminar nada, que "aquele corno quem fez essa merda" (algum erro que ele tivesse cometido) e coisas do tipo.

Um ponto alto foi o dia em que ele disse que eu não estava prestando atenção no trabalho e que ia dar uma martelada em meu dedo para eu ficar ligado (é verdade, eu estava pensando em outra tarefa que não tive tempo de acabar), e eu lhe disse com firmeza que se me acertasse para ver o que eu faria com a cara dele. A partir de então ele continuou a criticar, mas de modo ameno, com sorrisinhos e me ensinando a fazer o que ele considerava errado, como tem que ser. Na natureza e no homem, o primeiro que desviar o olhar perde.

O carpinteiro que trabalha comigo não fala nada, na verdade me dá razão e diz que o cara é assim mesmo e que apenas gosta de trabalhar com ele por ele pagar certinho e que é bom manter a relação pois em qualquer momento ele arruma trabalho.

Eu entendo o lado dele e como cavalheiro nunca partiria de mim uma ofensa ou algo que lhe prejudicasse, apenas sei onde piso e não aceito ser tratado como um funcionário deste empreiteiro, o qual suspeito que por ser já um coroa, morar na mesma cidadezinha da empreiteira (poucas opções de trabalho para alguém assim) e ter filhos pequenos, precisa se humilhar e aceitar mijadas gratuitas.

Nesta semana terminamos um trabalho atrasado (por isso vou ganhar menos, me ralei) porém foi em ambiente tranquilo e como sempre aprendi coisas novas. Neste post quis comentar um pouco sobre como neste ramo existe uma oscilação entre trabalhos fáceis e difíceis, que pagam bem ou mal quando surgem imprevistos. Falarei mais deles ao longo do tempo.

Instalamos esse chão e uma bela porta
neste apartamento em reformas

Receber por produção é algo que eu realmente recomendo, caso possível. É a autêntica ética capitalista e como tal lhe possibilita ser um pouco mais dono do seu tempo e trabalho.

Voltando ao tema do post, o qual acredito ser de interesse de muita gente por ai, em nossa cultura os "chefes tetudos" parecem acreditar que por estarem te pagando, tem o direito de aporrinhar e maltratar os subalternos como parte do pacote. Isso é um fato facilmente observável e acontece bem mais com quem não tem muito orgulho próprio e permite esse tipo de situação. Parece existir pra muita gente um grande medo de ser demitido caso não aceitem uma crítica imbecil ou mesmo humilhação. Não só de ser demitido, mas de que o mundo acabe. Ledo engano.

Ao contrário do que possa parecer neste post, não sou uma pessoa agressiva e sou extremamente educado, até mesmo em situações ofensivas. Dito isso existem atitudes providenciais para vencer. Vocês leem bastante eu falar de "vitória" aqui no blog e não quero assim parecer o guru de auto-ajuda ou um pastor evangélico. A vida é pura e simplesmente uma disputa e no fim do dia ou você venceu ou perdeu.

O que vou falar a seguir não é certeza de vitória, mas ajuda.

Em todo lugar que se chega é importante ser notado e evidenciar confiança extrema. Não sabe fazer algo? Não tem problema, diga que não sabe, mantendo total confiança de que é capaz de aprender e executar como qualquer um. A impressão dos outros tem bem mais a ver com sua auto-confiança que com suas qualificações técnicas. Não estou falando de carpintaria. Venho de uma área totalmente intelectual e é igual lá.

Outra coisa é que o mundo é dos espaçosos. Pessoas que ocupam espaço e fazem barulho (nas horas certas) tem uma chance bem maior de chegar mais longe e levar uma vida melhor, com menos desaforos. Já falei aqui no blog, o homem ainda tem uma instância selvagem neste teatro chamado vida moderna. Aqui na blogsfera muitos falam do estereótipo do "macho alfa" mas na vida real o macho alfa se mostra no modo de agir e através do olhar, não do carro que os pais deram ou do físico "3 séries de 12". Aliás um porte físico poderoso dá a impressão que você é eficiente e comprometido (em outras palavras um atleta é mais eficiente que alguém fora de forma, e naturalmente as pessoas tem medo de intimidar alguém fisicamente mais potente).

Aqui em casa sempre converso com minha mulher sobre mantermos uma postura digna, independente de estarmos em outro país onde SIM, existe diferença de tratamento com extrangeiros assim como em TODO país do planeta. Nunca me importei com isso, é totalmente natural.

Agora ser tratado mal... As pessoas permitem, não fazem nada para dominar o castelo e depois reclamam.

terça-feira, 27 de junho de 2017

As quatro técnicas básicas do carpinteiro

Amigos, a partir desta semana vou criar as etiquetas "carpintaria" e "construção civil" para ficar mais fácil para quem quer acompanhar o assunto e minha evolução neste trade.

Se você se interessa por construção civil precisa não só ter noções, mas dominar absolutamente as quatro habilidades que vou citar a seguir. Existem algumas maneiras e ferramentas variadas de se obter o efeito desejado dependendo da situação, mas vou me ater as mais usuais.

Sugiro fortemente que estude no youtube dicas e macetes das ferramentas, pois sempre temos algo novo à aprender. Vamos lá:


1. Medir.

Sempre lembro da frase: "não se pode administrar aquilo que não se pode medir". Medir é a técnica mais básica da construção. Medimos distâncias, comprimentos, espessuras, volumes e tudo mais que se precise trabalhar. Aqui vamos nos ater ao domínio da fita métrica, também conhecida no Brasil como "trena". Lembro que durante minha infância, meu tio Engenheiro não saia de casa sem a sua pendurada no cinto e hoje eu sinto a mesma necessidade. Geralmente carpinteiros e pintores usam fitas de 5 ou 8 metros (pintor precisa para dar orçamento). Pedreiros também precisam de fitas de 30 metros para demarcar terreno.

Hoje em dia também existem medidores de distância à laser bem interessantes, mas nada substitui a fita métrica. Eu sugiro uma larga, de pelo menos 2cm e de preferência 2,5cm e de boa marca.


Para marcar é necessário manter seu lápis bem apontado e uma caneta marcadora para alguns materiais. Um boa dica é "medir duas vezes para cortar uma". 

2. Nivelar

Não existe nada pior na construção que algo fora de nível. Tudo tem de estar nivelado a cada passo antes de prosseguir ao próximo, caso contrário as coisas não encaixam.

Nível se refere ao ângulo entre dois pontos na horizontal (apesar de ser comum chamar prumo de nível, como veremos à seguir). Para isso se usa um laser de traçar, mas principalmente o nível de bolhas (spirit level). Antigamente os pedreiros verificavam o nível com uma mangueira. Muitos ainda utilizam  a técnica, mas está caindo em desuso por não ser 100% precisa.

Nivel à laser é muito bom para vários tipos de trabalho, mas considero 3 níveis de bolha indispensáveis. Um nível médio, de 50 ou 60cm, um nível de 2 metros para coisas maiores, e um nível torpedo para coisas pequenas ou verificações rápidas.

Jamais derrube ou aperte o nível pois ele perderá a precisão. 

3. Aprumar. 

O prumo se refere ao nível na vertical. Uma parede deve estar em prumo para não cair (a não ser que seja dessas desenhadas para serem curvas por um arquiteto sádico) mas no geral devem estar totalmente retas, assim como outros objetos.

Para se verificar o prumo se utilizam o nível de bolha ou... O prumo, que é uma ferramenta muito antiga e precisa, com um pêndulo que deve ficar à face do que se quer manter em em prumo.


Eu sugiro ter um prumo na caixa de ferramentas, por mais que usemos o nível de bolha bem mais. O prumo pode ser usado em objetos maiores, como paredes de vários metros. A sugestão que ouvi é que para cada metro, o pêndulo deve ter pelo menos 250 gramas, então faça as contas. O meu tem 700 gramas, portanto posso medir o prumo de algo de até 3 metros.

4. Esquadrejar

Tudo o que tiver ângulo reto em relação a outra coisa deve estar totalmente em esquadro, seja na vertical ou na horizontal. O esquadro é uma das ferramentas mais usadas na construção, mas infelizmente por existir muita mão de obra porca, vemos muita coisa fora de esquadro numa casa. Todo carpinteiro carrega um esquadro de 25 ou 30cm no cinto e eu carrego dois pois comprei um Speed Square americano que facilita muito minha vida com a madeira.

Em minha próxima viagem ao Brasil vou soldar uns ferros e fabricar o maior esquadro que já se viu (um verdadeiro framing square enorme) para deixar claro aos operários que trabalham com minha família que estou chegando e a conversa vai ser outra quando eu estiver no terreno. O defeito da minha família é a falta de cobrança e zelo com o acabamento, o que afeta a qualidade e valor das obras e isso está com os dias contados.


Uma maneira simples de se verificar o esquadro de uma estrutura é a regra 3 x 4 x 5. Pode ser verificado com a fita métrica. Ou seja, se você medir um lado com 30 ou 60 cm, o outro deverá ter 40 ou 80cm para que o vertice maior tenha 50cm ou 1 metro. Se bater nestas medidas, está em esquadro.

Muitos trabalhos devem ficar absolutamente precisos, mas alguns outros podem ter uma tolerância de 2mm pois não se nota e consumiria muito tempo arrumar.

A qualidade do material afeta a precisão e pode exigir mais habilidade dos construtores. Não adianta entregar um molho de tábuas completamente fodidas pro carpinteiro e exigir trabalho bem feito, ou tijolos tortos e mandar o pedreiro levantar uma parede reta. Por este motivo sou a favor de que o cara que manda passe por suficientes situações práticas para exigir de modo realista, mais ou menos como no Exército.

Estas 4 técnicas básicas são usadas desde a construção de uma casinha de cachorro até o prédio mais alto do planeta. Ninguém nasce sabendo e exige alguma prática para se ficar bom, mas o que realmente faz a diferença é o caprixo e atenção aos detalhes.

É importante manter sua marca gravada em suas ferramentas para evitar que sejam "confundidas" e sumindo (e nem isso é garantido). Cuide muito bem delas.

Mesmo dominando essas quatro técnicas o profissional deve ter acesso à uma cópia da planta e poder consultar o engenheiro ou arquiteto sempre que necessário, pois o profissional não pode parar de produzir para ficar esperando pelos outros.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Coragem, a virtude indispensável

Existem algumas poucas virtudes importantíssimas na vida. Sorte a nossa que com duas ou três você já se vira, e pode desenvolvê-las através de trabalho duro e foco em auto-desenvolvimento caso alguma lhe falte.

Se alguém que conhecemos afirma que sonha com determinado objetivo, geralmente podemos dar um palpite se a pessoa vai conseguir chegar lá ou não, dependendo do tamanho do plano.

Ser organizado, confiável, resiliente, disciplinado e preparado, dentre outras coisas, pode lhe manter nos trilhos, mas nada supera a coragem.

O cara corajoso por si só já é admirável, independente do que tenha conseguido na vida. As vezes até uma pessoa abominável é admirada, pelo simples fato de ter sido corajoso sob perigo ou situações difíceis.

Já vi muitas vezes alguém menos competente se sobressair por causa da coragem em coisas que fazem a maioria se manter paralisada.

No fundo, essas pessoas não aceitam os famosos bullshits que nosso cérebro cria pra nos manter pobres e dependentes. Gente que não se vitimiza, mas faz o que tem que fazer sem se importar com a opinião de ninguém, principalmente de desconhecidos, são os verdadeiros heróis da sociedade, e não algum burocrata que criou uma lei imunda como a escola nos mente durante a infância. São pessoas "antifrageis" que entendem que a vida é dura e a falha é mais constante que o sucesso, e ainda assim não temem falhar, que vão chegar mais longe e realizar seus projetos.

Esta semana um amigo, músico, me contou umas curiosidades sobre uma banda que ambos curtimos, a Megadeth, visto que está lendo a biografia do líder desta, Dave Mustaine. Em um trexo Dave conta como certa vez contratou um baterista novo:



Apesar de a ênfase ter sido no profissionalismo de Behler, o start dependeu unicamente dele. Ninguém bate na sua porta pra lhe oferecer algo bom. É necessário falar com pessoas e passar 24h por dia agindo sem medo nem vergonha de nada.

Perguntar se queriam um assistente foi a maneira que Behler encontrou para ficar em volta dos melhores profissionais que encontrou no seu ramo de interesse e até que surgisse a oportunidade certa se manteve focado (depois foi demitido, mas é outra história). Bem diferente do cara que não aceita um trabalho assim e espera a oportunidade certa cair do céu. No mundo da música esta é a realidade de quase a totalidade de quem acredita ter algum talento. Muitos são bastante habilidosos, mas não tem coragem de começar algo pois não aguentam críticas.


domingo, 18 de junho de 2017

Objetivos profissionais atualizados

Olá amigos do blog,

Minha vida está muito mais fácil ultimamente dado a relativa tranquilidade financeira e por estar motivado, ocupando meu tempo estudando coisas que gosto como a muito tempo não fazia. Quer dizer, a muito tempo estudo sobre construção civil e mercado imobiliário, mas antes era sempre com a sensação de estar estudando algo apenas por curiosidade e sem aplicação prática na minha vida.

Tenho passado o tempo livre assistindo videos no youtube sobre carpintaria e também sobre construção em alvenaria  do modo que se faz no Brasil e técnicas de pedreiro, pelo meu objetivo de construir futuramente ai no Brasil. 

Por incrível que pareça não existem muitos cursos de carpintaria aqui em Portugal. Não posso contar com nenhum SENAI da vida para dar uma acelerada no conhecimento, aprendendo apenas através do trabalho. O problema é que, faço um tipo de trabalho hoje e outro na próxima semana. As vezes vou fazer o mesmo tipo de trabalho daqui a um mês. Como gosto de dominar o ambiente e ser independente onde quer que esteja, estou à caça de cursos de curta duração.

Encontrei um rápido para pedreiros com foco em desempregados (portanto deve ser grátis) a poucos kilometros de minha casa e amanhã minha amada mulher vai buscar informações, até porque me enquadro como "desempregado" aqui.

CF aprendendo o que devia ter aprendido
aos 15 anos.

Amanhã mesmo passarei na papelaria para adquirir um caderno de anotações. Tenho muitos resumos na cabeça e pretendo montar uma apostila detalhando a construção de uma casa, do estudo e medição do terreno até o telhado, passando pela fundação e vigas, chão paredes, sistema elétrico, hidráulico, etc. No youtube cada um faz de um jeito e provavelmente vou seguir o projeto e ordens de meu tio engenheiro no Brasil, mas quero ter nível para mandar e acompanhar os outros profissionais. Baixei umas apostilas pra detonar também.

OS LIVROS SOBRE O ASSUNTO SÃO CAROS DEMAIS NO BRASIL, em Portugal idem, já nos USA são centenas ou milhares de títulos por 10 dólares... Vai entender esse capitalismo malvado.

Os carpinteiros americanos recomendam alguns livros clássicos, mas lá os sistemas são diferentes então me mantenho nos vídeos. Gosto de ter alguma espécie de manual para conhecer termos e processos padronizados e se alguém conhecer um bom aceito a sugestão.

Wood frame americano

Provavelmente o plano de construir vai ser protelado mais um tempo caso eu consiga ir aos USA ano que vem, mas isso seria ainda melhor na questão do conhecimento.

Portanto meus objetivos profissionais já estão claros para os próximos 3 anos.

Tornar-me profissional na carpintaria.
Passar um semestre nos USA.
Construir uma casa.

sábado, 17 de junho de 2017

Carregar dinheiro faz gastar?

Olá amigos, 

Esta semana me chamou a atenção que, quanto mais dinheiro temos disponível, mais fácil é de gastar. Devem haver algumas pesquisas de comportamento do consumidor pra quem se interessar.

Isso é de certa forma conhecimento comum. Quando se tem um monte de dinheiro no bolso ou conta bancária tendemos a prestar menos atenção nos pequenos gastos. Nós somos extremamente mal preparados para pensar no futuro, por isso quem melhora de vida tende a aumentar a inflação pessoal.

Mas há modos de controlar isso melhor, se observarmos algumas coisas.

Primeiro que tipo de dinheiro gastamos, se é papel ou no cartão. Segundo o que ouvi, as pessoas gastam mais dinheiro tendo um cartão de crédito no bolso do que tendo uma nota, pela sensação de perda que causa entregá-la. Desta forma é melhor andar com pouco dinheiro do que com um cartão de limite maior se você não quiser gastar.

Sempre tive o costume de andar sem nenhum dinheiro e isso as vezes me prejudicava. Algumas vezes acabava longe de casa tendo que andar alguns kilometros, sem grana pra comer algo ou tirar uma fotocópia. Mudei isso no Brasil carregando 10 reais no bolso. Era meu limite. Mais que isso eu via evaporar, pelo simples fato de ter. Sei que hoje em dia 10 reais pode não ser o suficiente no Brasil destruído pelos socialistas.

Aqui em Portugal carrego 5 euros. É o suficiente para qualquer necessidade que possa surgir. Minha esposa tem o costume de carregar mais e por isso gasta mais, sobretudo no supermercado. A diferença entre ir com 15 ou 30 euros no mercado é visível. Você VAI comprar algo desnecessário. Aqui cabe o parêntese de que, como carrego pouco dinheiro acabo conprando só o "basicão" no mercado e algumas coisas acabam fazendo falta rs.

Uma coisa que implementamos foi anotar um limite por mês dos gastos variáveis em um calendário na cozinha. A cada gasto, diminuímos o valor disponível mensal. Mas isso por si só não adianta muito. Se sair de bolso cheio, voltaremos com sacolas e só vai restar aumentar o limite como é hábito do brasileiro endividado. Este mês vamos extrapolar os 200 euros na alimentação. Falta só 25 no caixa.

Não tem problema... Já faz um tempo que temos de aumentar o limite pra 250. Com nós dois trabalhando voltou a sobrar dinheiro, inclusive para um modesto aporte na reserva de emergência em euros.

Sugiro a todos pensarem nos "furos no balde" que são os pequenos gastos, e em como  a quantidade/tipo de dinheiro que você carrega influem nisso. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Oportunidade de visitar os USA

Boa tarde amigos, vim ao blog escrever um pouco neste feriado de Corpus Christi escutando o bom e velho Metal do mal.
 
Esta semana estamos instalando portas em uma obra e hoje não era possível trabalhar por lá. Incrível como agora estou familiarizado e sem receio de errar no trabalho, tomando o devido cuidado com o material.
 
Como disse aqui admiro muito os carpinteiros americanos. O modo de trabalho deles é diferenciado e sem dúvidas mais eficiente. Por conta dos vídeos que assisto sobre o ofício adquiri um cinto de ferramentas (o meu é bem básico, não tem muitas alternativas em Portugal) e minha produtividade aumentou 500%, sem falar nas articulações que eu poupo por não ter que me abaixar toda hora pra buscar alguma coisa. Meu cinto possui o que mais se usa:
 
Lápis, caneta marcadora, dois punções, martelo, bate-linha, fita métrica, x-acto (estilete), um pequeno escopro, esquadro, e pregos ou parafusos que esteja usando. Posso pendurar de tudo dependendo o trabalho, e mesmo assim me fazem falta mais bolsos. Me arrependo de não ter comprado o de dois sacos, mas quis começar pequeno. Mesmo assim vou adquirir o "coldre" para parafusadeira à bateria que já me fez bastante falta. Também me faz falta um pequeno nível torpedo para ter no cinto.
 
Encomendei através de um amigo (Não tenho conta no Ebay) um Speed Square dos USA, pois não temos aqui (pasmem). Pedi no sistema métrico e isso sem dúvidas vai aumentar minha velocidade e precisão. Se você trabalha com madeira precisa de um.
 
 
Pense nisso como uma calculadora financeira, o Photoshop ou o Excel da carpintaria.
 
 
Como sou ajudante, o cara que trabalho tem todas as ferramentas (incluindo elétricas) que precisamos ou compra antes de iniciar algum serviço que precise. Posso usar tudo dele, mas algumas coisas prefiro ter meu mesmo. Tive muita sorte pois vejo como é duro ser peão para uma empresa. Mesmo assim não fico mais desempregado... Arrumo emprego em qualquer obra ou marcenaria caso precise. A vida toda tive medo de perder meus empregos lixos difíceis de achar e não tenho mais. Sou um homem livre.
 
Tenho alguns posts engatilhados mas não tenho tido muito tempo pro computador pois chego quebrado em casa. No máximo dou uma olhada na corretora e faço alguma transferência. Estou focado em ações e escuto alguns áudio-livros, mas não tenho estudado muito além da carpintaria. Provavelmente só lerei os próximos livros ao buscar uns que comprei, no final do ano ai no Brasil, quando pretendo visitar a família (= - R$ 3400,00).
 
Voltando ao tema do post, hoje um amigo do Brasil, antigo colega de trabalho, entrou em contato dizendo que um amigo dele gostaria de tirar umas dúvidas sobre vir morar na Europa. Lá pensei na bomba. Desde que morei na Irlanda, perdi a conta de quantas vezes perdi tempo respondendo um monte de perguntas para pessoas que jamais vão sair do Brasil por, no fundo, falta de coragem. Logicamente fui educado e permiti que o rapaz me adicionasse no aplicativo de papo furado.
 
Para minha surpresa, o cara está terminando a cidadania italiana dele, só falta ir à Itália, como fez minha mulher. Fica mais fácil pois é difícil falar para as pessoas que, ilegal aqui tem muita dificuldade de arrumar um emprego, principalmente se for "gente de escritório".
 
Continuamos batendo papo e ele disse que morou duas vezes nos USA e estudou TI lá enquanto trabalhou na construção civil, e que ano que vêm pretende ir novamente. Ao saber um pouco sobre mim através de nosso amigo em comum, o que fiz no Brasil e que agora estou na carpintaria, disse que tem amigos brasileiros nos USA e seria fácil me arrumar um emprego por lá.
 
Fiquei entusiasmado pois sou apaixonado pelos USA e tremendamente admirador do Ethos americano, além da oportunidade de trabalhar no que eu gosto.
 
 
Os USA salvaram o mundo do nazismo e da expansão soviética.
 
 
Hoje, com minha idade e condições aqui em Portugal, não trocaria a qualidade de vida em Portugal por ser ilegal nos USA. Não tenho mais 20 anos nem sou solteiro sem nada a perder. Nos próximos anos pretendemos adquirir uma modesta propriedade em uma praia aqui e curtir muito a vida. Felizmente (sou muito grato por tudo o que conquistamos) não precisamos navegar na incerteza de anos atrás.
 
Assim, poderia ficar até 6 meses para não extrapolar o tempo legal de visita e não ficar queimado com a imigração, e retornar, apenas pela experiência. O dinheiro pelo que pesquisei e me foi dito compensaria.
 
A possibilidade de abrir um negócio nos USA através da cidadania italiana de minha esposa nunca foi descartada, apesar de ser muito remota. Olhando pela janela vejo que conquistei o que sempre quis até aqui.
 
No fim do ano estarei no Brasil visitando a família e os amigos e vou conhecer melhor esse cara ai. Apenas quis dividir isso com vocês pois é o tipo de oportunidade que não aparece fácil.
 
 

sábado, 10 de junho de 2017

Filme do mês: Master and Commander

Como sempre o aviso de assistir ao filme antes de ler o post.

Master and Commander (Mestre dos Mares) 

Trailer

O filme começa com a troca de guarda no navio, e segue com um aspirante que acha ter avistado algo se movendo pelo denso nevoeiro em que o navio inglês "Surprise" se encontra. O alarme é acionado e a tripulação posta em posição de combate.

Após algum tempo, quando se acha que não era nada, um poderoso navio francês chamado Acheron, mais moderno, abre fogo causando grandes danos a um mastro e ao leme do navio. De modo milagroso eles conseguem escapar pelo nevoeiro. Segundo li, alguns eventos do filme retratam eventos reais.


O ano é 1805,  a Europa está sob a tirania de Napoleão Bonaparte e a única coisa que se opõe a seu império é a poderosa, porém sob risco de obsolescência, marinha britânica.

Após o combate, com o navio seriamente danificado, a tripulação crê que o Surprise deve retornar a um porto inglês para os reparos necessários antes de seguir em sua missão de impedir que o Acheron domine os mares do sul, porém o Capitão do navio, Jack Aubrey (interpretado por Russell Crowe e no filme, pupilo do lendário Almirante Nelson) ordena que os reparos sejam feitos na costa brasileira afim de perseguir o Acheron, mesmo em desvantagem. O personagem de Crowe retrata a impetuosidade dos grandes capitães navais ingleses.


Neste momento do filme lembrei de uma cena interessante do filme "O Resgate do Soldado Ryan" onde o pelotão de resgate se depara com uma casamata. Quando um dos presentes questiona o porquê de combater, já que esta não era sua missão principal (e sim resgatar o tal Ryan), o Capitão do pelotão interpretado por Tom Hanks diz algo como: "e deixar para os próximos que passarem por aqui?".  

Pra quem gosta de história este filme apresenta vários detalhes e curiosidades sobre alguns termos que utilizamos nos dias de hoje, como de onde saiu marcar a velocidade em "nós" ou o termo "grogue" (ração de rum com água  usada como barganha pelo capitão com a tripulação). Como também a lendária disciplina e hierarquia da marinha (se você questiona a rigidez de determinadas instituições, imagine perder o respeito de seus comandados em um barco em alto mar.

Algumas coisas que escrevi (neste post)  sobre gestão de pessoas pode ser visto no filme. 

Depois de reparado, o Surprise segue em perseguição a seu inimigo. Apesar de ser de classe superior, mais rápido e com mais canhões, o Capitão Jack agora tem informações importantes sobre fraquezas do Acheron pois um de seus marujos teve um primo que o ajudou a construir e descreveu seu frame.

A aventura passa pelo perigoso cabo Horn e também pelas ilhas Galapagos, onde a fauna isolada ajudou  a elaborar a teoria da evolução das espécies. No final, os dois navios se enfrentam em uma batalha bastante violenta e um deles sai vencedor.


Apesar de gostar de militarismo e as virtudes militares, gosto de poucos filmes do tipo. Pretendo falar de mais três deles no futuro.

Como disse, este filme apresenta lições de liderança e disciplina interessantes, além de alguma ação bem feita.


Nota 9.

Dia 6 foi aniversário do Dia D, onde a liberdade atingiu com força a Europa sob o reinado de terror do socialista Adolf Hitler. Nosso EB,  marinha e a recém criada FAB estavam lá. Sou grato.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dando passos sozinho na carpintaria

Olá amigos, 

Ainda não é hora de eu descrever o melhor modo de se tornar um carpinteiro como me pediram nos comentários, mas prometo que quando chegar a hora farei um post bastante completo. O máximo que posso dizer é como eu fiz, e como teria sido o melhor modo. Isso também fica mais pra frente.

O que quero comentar hoje é que estou a menos de 2 meses neste ramo e já estou desenrolando trabalhos mais complexos sozinho.

Minha evolução está bastante rápida, sei operar todas as ferramentas mais comuns, medir, nivelar, cortar, pregar, colar furar, parafusar... Tão rápido quanto o pessoal mais experiente, talvez por estudar em casa e treinar do mesmo modo como os melhores carpinteiros fazem. Isso mesmo, eu pego a ferramenta e ensaio o movimento algumas vezes como os coroas do youtube ensinam.

Material pra estudo é vasto e 100% grátis, e identifico o que as pessoas estão fazendo naqueles programas de reformas.

Chego na obra e executo de modo natural, pois observo as dicas e erros comuns.

Nas últimas semanas trabalhei exatamente igual aos profissionais, e hoje instalei a armação para um piso de madeira bem complicada sem supervisão.

Observei 5 níveis até agora:

1. Carregador de lixo e madeira
2. Ajudante que sabe operar as ferramentas, nivelar, etc
3. Carpinteiro que faz coisas complexas sozinho, lê plantas, mas faz do modo que mandam
4. Carpinteiro que propõe soluções e sabe fazer de tudo
5. Mestre de obras

Espero chegar ao nivel 3 de modo confortável em 1 ano de trabalho. Provavelmente vai dar certo, pois já vi gente com mais estrada que eu que não sabe operar determinada ferramenta, faz coisas de modo descuidado e mais parece cavalo de um troque só, e o pior é que ganham mais que eu.

O melhor modo de aprender é fazendo, pois só assim existe o risco de errar, e sem risco ninguém aprende nada. 

Em breve vou descrever as ferramentas necessárias pra iniciar no ramo, e as mais utilizadas nos diferentes tipos de carpintaria.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Voltando do Algarve

Olá amigos, acabo de retornar da região do Algarve, de uma cidade de praia muito bonita de lá. Pra quem é do Brasil, nada de extraordinário, tirando que não tem arrastão. 

Fiz junto a um crew de carpinteiros mais dois decks em uma espécie de bar. A cada dia aprendo pra caramba. Desta vez até levei umas mijadas de um carpinteiro mestre nervosinho. Até que estava demorando, pois neste ramo é briga toda hora. O pior é que sou ossudo pra brigas, mas não pude retrucar pra não prejudicar o carpinteiro que eu trabalho junto e arruma trabalhos com esse cara de vez em quando. 

Tem um outro ajudante, já meio coroa, que leva mijadas humilhantes toda hora. Tenho pena dele. Não é por cometer erros, que até os experientes profissionais cometem... É pra encher o saco de alguém mesmo. No caso desse cara suspeito que, por ele ser mais velho, com filho pra sustentar e por morar na pequena cidade de onde são esses outros carpinteiros, não pode se dar ao luxo de mandar à merda o patrão barrigudo nervosinho ou põe em risco a comida da família.

Ai estão duas importantes lições: não viver em cidades sem emprego, e não ter filhos antes de estar tranquilo financeiramente... Ou meu amigo, você se tornará um proletário.

Como é ruim depender do emprego. O ser humano é muito parecido com um lobo, que não hesita em atacar com força máxima a presa que demonstra fraqueza. Eu acredito que quanto mais dependente você for, mais vão te abusar e explorar.

Por isso eu sempre digo (pra mim mesmo pois nada neste blog é conselho): escolha uma profissão que não te condene a ser empregado pra sempre. 

Desta vez me ralei. Nas duas últimas semanas carreguei muita madeira na areia. Lembrei de músculos que não usava a anos... Na primeira semana trabalhei de pés descalços, porém nesta tive de usar calçado de segurança com 2kg de areia dentro. Nas próximas é trabalho perto de casa, por sorte.

Portugal é um país antigo, mas vive de turismo e a construção civil em áreas de veraneio é aquecidícima. Na estrada anotei sitios históricos que pretendo visitar no futuro, como construções medievas e uma fortificação romana.

Valeu a pena pois conheci dois lugares novos (um badalado e outro mais calmo) que vou avaliar com minha mulher para o dia em que nos mudarmos para uma praia. Nosso projeto para os proximos 3 a 5 anos.

Além disso trabalhamos 11 ou 12 horas por dia pra terminar as empreitadas, uma vez longe de casa, e por dia bebia cerca de 6 litros de água.

Estou moído, mas essas horinhas a mais vão compensar. Carpintaria pesada definitivamente não é pra homem velho e não sei como tem tanto alcoólatra no ramo da construção civil: Tem cara que bebe desde o café da manhã, hoje penso que seja pelo efeito analgésico.

O post sobre a profissão sai daqui a um tempo. Não adianta eu falar aqui o que se acha no wikipedia. Impressionante a velocidade com que aprendo e executo os trabalhos, crio soluções pra seguir em frente... Não que seja ciência de foguete. Só precisa de: boas ferramentas, matemática de primeiro grau cursado em escola municipal, coordenação motora, noção de espaço, resistência alta ao stress e constituição física cavalar.

Minha mulher arrumou outro emprego, de 32h semanais bem pertinho de casa. Era o que eu queria. Não se perde tempo em empregos ruins pois a vida é muito curta. Depois falo mais disso.

Dito tudo isso, é importante lembrar que ser saudável e ter um emprego é praticamente uma bênção. Eu sempre digo pra se mandar de onde não tem trabalho, mas muita gente infelizmente não consegue uma colocação. Vi mais de um grupo de pessoas que pareciam imigrantes (ouvi línguas africanas e do leste europeu) em volta das obras, tentando identificar o chefe pra oferecer seu serviço. Sorte que em obra quase sempre se acha alguma coisa.

Neste final de semana pretendo escrever mais alguma coisa. Fiquem ligados.

Um abraço! 

domingo, 28 de maio de 2017

Filme do mês - Last Man Standing (O Último Matador)

Links dos outros filmes que descrevi:

- O Conde de Monte Cristo
- Fogo Contra Fogo
- Comer Rezar e Amar
Segue o trailer. Não esqueça de assistir ao filme antes de ler o post pois tem spoilers.

Trailer

Last Man Standing

Mais um filme do gênero Neo-noir, pra variar. Gosto muito desse tipo de filme. Os personagens tem personalidade marcante e demonstram uma espécie de Ethos que me inspira.

O filme começa com uma fala introspectiva, como não podia deixar de ser no gênero, de "Jhon Smith" (Bruce Willis) - o nome mais comum e sem linhagem dos USA - onde ele diz estar indo rumo ao México para esconder-se por uns tempos.

A história se passa durante a lei seca. O carro de Jhon acaba estragado em uma cidadezinha poeirenta do Texas dominada por duas gangues rivais de contrabandistas de whisky, onde a lei é corrupta. A fórmula clássica da aventura onde o herói está sozinho no escuro.


Logo no começo, o protagonista sofre ameaças e é agredido por uns gangsters. Quando procura a polícia, o xerife lhe diz que é melhor se mandar.

Primeira lição: longe de casa e sem amigos, tudo fica mais difícil.

Ao invés disso Jhon se hospeda numa espelunca, pois é um homem de violência e enxerga no lugar uma oportunidade de lucro, vendendo seus serviços de pistoleiro fodalhão.

Segunda lição: vá para onde tiver trabalho.
Uma das coisas que gostei deste filme foi que o protagonista se mantém sempre frio e vê tudo simplesmente como negócios. Também que como é marca registrada dos personagens do Bruce Willis, o herói apanha que nem cachorro de rua e não vence fácil.


Depois de matar um dos bandidos pra mostrar que é macho alfa, Jhon é contratado (sem carteira de trabalho) por uma das gangues.

Terceira lição: Seja realmente bom em algo. Eu demorei pra aprender a importância disso na vida. É muito importante ser suficientemente bom em algo que em que você possa achar emprego em qualquer lugar, ou pelo menos sobreviver sem se endividar caso sua atividade principal esteja ruim. Se sabe trabalhar em algo, aprenda outra coisa, e outra, pra sobreviver em qualquer terreno.

A partir dai, o cara simplesmente fica jogando para os dois lados e exigindo mais dinheiro por ser bom de tiro, enquanto manipula e deixa todo mundo nervosinho.

Quarta lição: Trabalhe pra quem pagar mais sempre que tiver a oportunidade (sem fechar as portas atrás de você). Você não deve nada para nenhum patrão. Claro que a vida não é filme de bang-bang, mas como no filme,  entre por pão na mesa e ficar de bem com o chefinho, escolho pão na mesa.

O filme foi escrito pelo Akira Kurosawa, então espere traição após traição. Também tem muitos tiroteios pra quem gosta de ação, e um filtro amarelo pra passar uma imagem de forte calor.

pew pew


Para mim este é o melhor filme do Bruce Willis junto com os dois primeiros Die Hard.

Nota 9

sábado, 27 de maio de 2017

Da série eficiência estatal - Correios

Recentemente houve uma discussão saudável sobre a eficiência de órgãos e empresas públicas aqui no blog. Eis que me deparo com duas notícias sobre este exemplo de gestão chamada Correios para que se ponha uma pedra no assunto, ou não.

http://exame.abril.com.br/economia/correios-podem-demitir-em-nova-reestruturacao

http://exame.abril.com.br/negocios/presidente-dos-correios-diz-que-monopolio-e-insustentável


Lendo que a ineficiência da gestão pública é uma "falácia".

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Trabalho e segurança em Portugal

Olá amigos, ainda não tive tempo de responder aos comentários do último post. Acontece que estou em uma praia trabalhando em um belo deck esta semana. Primeiro trabalho longe de casa na minha nova profissão. Isso é chato. Achava que não ia mais fazer esse tipo de coisa como tinha que fazer no Brasil.


Já queimei a perna em um compressor incandescente, a cortei, a pele dos meus pés virou carvão na areia, e hoje estou particularmente destruído, pois carreguei no "lombo" mais de duas toneladas de tábuas, mas garanto que não troco nada disso por outros trabalhos que tive.

Tenho aprendido muitas coisas que me vão ser úteis pro resto da vida e em meus projetos de construção civil. Como disse, esse é meu "plano de aposentadoria". Até aproveitei este trabalho pra tirar umas dúvidas sobre fundações. O dia que chegar numa obra minha não vou ser nada bobo.

Achar uma profissão em que você goste de aprender ao invés de o fazer por obrigação é realmente difícil. 

Queria comentar neste rápido post algo que ainda me deixa intrigado. A segurança neste país é admirável. Existem roubos e crimes, mas só ouço falar, e são coisas banais pra quem vem de um lugar onde traficantes decapitam seus rivais.

Na Irlanda mesmo o que direi a seguir não seria possível.

Deixar a carrinha aberta quando vamos almoçar, ou deixar ferramentas na obra, na praia, e ninguém mexer, nunca havia imaginado. Não vou me aprofundar muito na questão, deixo só o relato.