domingo, 28 de maio de 2017

Filme do mês - Last Man Standing (O Último Matador)

Links dos outros filmes que descrevi:

- O Conde de Monte Cristo
- Fogo Contra Fogo
- Comer Rezar e Amar
Segue o trailer. Não esqueça de assistir ao filme antes de ler o post pois tem spoilers.

Trailer

Last Man Standing

Mais um filme do gênero Neo-noir, pra variar. Gosto muito desse tipo de filme. Os personagens tem personalidade marcante e demonstram uma espécie de Ethos que me inspira.

O filme começa com uma fala introspectiva, como não podia deixar de ser no gênero, de "Jhon Smith" (Bruce Willis) - o nome mais comum e sem linhagem dos USA - onde ele diz estar indo rumo ao México para esconder-se por uns tempos.

A história se passa durante a lei seca. O carro de Jhon acaba estragado em uma cidadezinha poeirenta do Texas dominada por duas gangues rivais de contrabandistas de whisky, onde a lei é corrupta. A fórmula clássica da aventura onde o herói está sozinho no escuro.


Logo no começo, o protagonista sofre ameaças e é agredido por uns gangsters. Quando procura a polícia, o xerife lhe diz que é melhor se mandar.

Primeira lição: longe de casa e sem amigos, tudo fica mais difícil.

Ao invés disso Jhon se hospeda numa espelunca, pois é um homem de violência e enxerga no lugar uma oportunidade de lucro, vendendo seus serviços de pistoleiro fodalhão.

Segunda lição: vá para onde tiver trabalho.
Uma das coisas que gostei deste filme foi que o protagonista se mantém sempre frio e vê tudo simplesmente como negócios. Também que como é marca registrada dos personagens do Bruce Willis, o herói apanha que nem cachorro de rua e não vence fácil.


Depois de matar um dos bandidos pra mostrar que é macho alfa, Jhon é contratado (sem carteira de trabalho) por uma das gangues.

Terceira lição: Seja realmente bom em algo. Eu demorei pra aprender a importância disso na vida. É muito importante ser suficientemente bom em algo que em que você possa achar emprego em qualquer lugar, ou pelo menos sobreviver sem se endividar caso sua atividade principal esteja ruim. Se sabe trabalhar em algo, aprenda outra coisa, e outra, pra sobreviver em qualquer terreno.

A partir dai, o cara simplesmente fica jogando para os dois lados e exigindo mais dinheiro por ser bom de tiro, enquanto manipula e deixa todo mundo nervosinho.

Quarta lição: Trabalhe pra quem pagar mais sempre que tiver a oportunidade (sem fechar as portas atrás de você). Você não deve nada para nenhum patrão. Claro que a vida não é filme de bang-bang, mas como no filme,  entre por pão na mesa e ficar de bem com o chefinho, escolho pão na mesa.

O filme foi escrito pelo Akira Kurosawa, então espere traição após traição. Também tem muitos tiroteios pra quem gosta de ação, e um filtro amarelo pra passar uma imagem de forte calor.

pew pew


Para mim este é o melhor filme do Bruce Willis junto com os dois primeiros Die Hard.

Nota 9

sábado, 27 de maio de 2017

Da série eficiência estatal - Correios

Recentemente houve uma discussão saudável sobre a eficiência de órgãos e empresas públicas aqui no blog. Eis que me deparo com duas notícias sobre este exemplo de gestão chamada Correios para que se ponha uma pedra no assunto, ou não.

http://exame.abril.com.br/economia/correios-podem-demitir-em-nova-reestruturacao

http://exame.abril.com.br/negocios/presidente-dos-correios-diz-que-monopolio-e-insustentável


Lendo que a ineficiência da gestão pública é uma "falácia".

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Trabalho e segurança em Portugal

Olá amigos, ainda não tive tempo de responder aos comentários do último post. Acontece que estou em uma praia trabalhando em um belo deck esta semana. Primeiro trabalho longe de casa na minha nova profissão. Isso é chato. Achava que não ia mais fazer esse tipo de coisa como tinha que fazer no Brasil.


Já queimei a perna em um compressor incandescente, a cortei, a pele dos meus pés virou carvão na areia, e hoje estou particularmente destruído, pois carreguei no "lombo" mais de duas toneladas de tábuas, mas garanto que não troco nada disso por outros trabalhos que tive.

Tenho aprendido muitas coisas que me vão ser úteis pro resto da vida e em meus projetos de construção civil. Como disse, esse é meu "plano de aposentadoria". Até aproveitei este trabalho pra tirar umas dúvidas sobre fundações. O dia que chegar numa obra minha não vou ser nada bobo.

Achar uma profissão em que você goste de aprender ao invés de o fazer por obrigação é realmente difícil. 

Queria comentar neste rápido post algo que ainda me deixa intrigado. A segurança neste país é admirável. Existem roubos e crimes, mas só ouço falar, e são coisas banais pra quem vem de um lugar onde traficantes decapitam seus rivais.

Na Irlanda mesmo o que direi a seguir não seria possível.

Deixar a carrinha aberta quando vamos almoçar, ou deixar ferramentas na obra, na praia, e ninguém mexer, nunca havia imaginado. Não vou me aprofundar muito na questão, deixo só o relato.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Preço importa?

Com os últimos acontecimentos da política brasileira que impactaram fortemente nos preços dos ativos listados na Bovespa, discussões sobre preço e "Filosofia Bastter" voltaram ao topo na blogosfera. Vou dar minha impressão sobre isso em não muitas palavras.
 
Este texto, assim como tudo o que escrevo neste blog, NÃO É RECOMENDAÇÃO. Não sou profissional de investimentos e o que escrevo aqui são apenas minhas reflexões e opiniões pessoais e servem apenas para mim. Não me responsabilizo por decisões dos outros.
 
Preço importa pra quem faz trade de valor, ou seja qual for o tipo de trade. Preço importa pra quem vai fazer uma compra grande de ações, afinal nisto se comparam os ativos pra comprar o que se supõe estar com o a relação preço/valor mais baixo. Preço importa pra quem faz relativamente poucas compras. Preço importa pra quem prefere diversificar pouco e buscar margens de lucro maiores, a um risco maior. Preço importa pra quem tem tempo pra estudar bem os ativos. Preço importa pra quem se aprofunda em valuation.
 
Preço "não importa" pra quem faz compras mensais, pequenas. Preço não importa pra quem apenas quer investir e ser sócio de empresas saudáveis que dão lucro, de modo diversificado. Preço não importa pra sardinha que aporta migalhas. Preço não importa pra quem não tem tempo pra ficar estudando empresas de maneira exaustiva, porém opta por eliminar as porcarias através de poucos indicadores.
 
Em "não importa", quer dizer que, para o pequeno investidor amador, é mais importante eliminar as porcarias através de um "filtro" de indicadores básico (cada um cria seus critérios), aportar mensalmente o $ que sobra, e trabalhar e desenvolver-se mais em sua atividade, pois isto invariavelmente aumentará mais seu patrimônio que fazendo escolhas excelentes com seu pequeno aporte.
 
Para o pequeno investidor vale mais a pena aportar mensalmente no que tiver valor do que tentar acertar quais são os melhores ativos para manter seu dinheiro. Tenho certeza disso, por mais que surjam exemplos pontuais mais esdrúxulos a lá "empiri..." de como o correto seria entrar e sair no momento certo.
 
Por fim só queria falar uma coisa sobre o Bastter.
 
Vejo muita gente criticando o cara de um modo bem mal-educado, dizendo que só é rico por ser médico e tudo mais. Bem, eu aprendi muito com os vídeos dele, e considero seu livro "Eu Quero Ser Rico!" o melhor livro de educação financeira já escrito no Brasil.
 
Sobre a opinião dele de preço não importar, vi diversas vezes o mesmo falando que o investidor pode e deve estudar mais valuation e desenvolver seu método para fazer compras melhores, mas denovo, para o pequeno investidor amador, vale mais a pena aportar mensalmente em valor diversificado e TRABALHAR para fazer mais dinheiro ao invés de perder muito tempo no home broker.
 
Isso é bastante óbvio.
 
O cara já demonstrou isso com uma caralhada de exemplos e estudos.
 
Não faço parte do "grupo religioso" de chatos que dominou o fórum dele e fica repetindo os mantras bastterianos. Porém ele está simplesmente certo.
 
Se eu me concentrar em tornar-me mais eficiente e em trabalhar mais, pra sobrar 2 mil reais no fim do mês ao invés de 1 mil, "cuidar da família" e gastar meu tempo em esportes e lendo um livro, vou acabar com muito mais patrimônio que se ficasse estudando valuation para fazer melhores escolhas de onde por o 1 mil que sobra. Se este não é seu caso, ótimo.
 
Preço IMPORTA. Mas pra mim não tanto.
 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bem Vindos à Era da Esterilidade (guest post)

Boa noite amigos, hoje inauguro aqui no Blog a seção dos posts de convidados. Um amigo da vida real, que quis se identificar como Barão de Eschwege escreveu um excelente artigo que tem tudo a ver com o momento atual da minha própria vida, pois eu decidi abandonar minha profissão e tornar-me um carpinteiro - fiquem ligados.
 
 
 Bem Vindos à Era da Esterilidade
Barão de Eschwege
 

Trabalhei durante anos com publicidade online, sempre senti uma inquietação, mas não sabia o que era, até que após meses desiludido com a carreira, fui demitido. O que foi excelente. Há 10 anos querendo viajar e morar fora, com uma certa quantia na conta, resolvi fazer isso e comprei uma passagem para 3 meses a partir dali. Nesse período me interessei por carpintaria, e como meu avô sempre trabalhou com isso, resolvi pedir para ele me ensinar o básico do ofício. Aí que estava o problema e finalmente entendi a minha frustração com a antiga carreira.

Em poucas palavras: Não era real! Nada do que eu fazia era real, eram coisas feitas no computador e que lá ficariam.

Isso tudo me fez pensar sobre a frustração, ansiedade e outros problemas que o mundo digital nos traz, o que me trouxe até esta conclusão: vivemos em uma era de esterilização.

Não sei dizer que convergência ou forças nos movem para esse caminho além do que pode se ler nos livros de história sobre revolução industrial e o que vem a partir disso, mas é um sentimento de que algo acontece sem que nos demos conta. Uma morte silenciosa, como um animal colocado em água fria numa panela à ferver.

O avanço da tecnologia, tirando obviamente todos os seus benefícios, traz consigo um outro lado: A digitalização e o afastamento do físico, do palpável. As pessoas estão desaparecendo como espíritos presentes, seja para o mundo, seja para o seu circulo íntimo de pessoas.

A arquitetura há muito tempo é pobre, decoração pobre com seus visuais clean, as pessoas tiram cada vez mais e mais fotos mas quase ninguém as imprime, ouvem músicas no Youtube ou Spotify, anotam seus recados no Evernote, OneNote etc, assistem filmes pela Netflix, leem livros no kindle e por aí vai.

Não estou dizendo para deixar de usar estes recursos, que são ótimos e que eu particularmente uso todos os dias, só falo para usar com moderação, não deixando que isso engula a sua vida.

Posso dizer com segurança que muitas pessoas se morressem hoje, suas memórias mal preencheriam uma caixinha de papelão. Você morre, praticamente recolhem as roupas e escova de dentes na sua casa e já está pronto para qualquer um ocupar aquele espaço como se você nunca tivesse existido. Hoje em dia tudo é descartável, até relacionamentos e pessoas!
 
 
Kindle é legal e prático, mas de quem é isso aqui?
 
A morte é um processo não só para quem morre, mas para os que estão ao seu redor também, e julgo ser importantíssimo deixar um impacto no mundo e na vida das pessoas. Deixar lembranças.

É legal que algum ente ou amigo, que após a sua passagem vá recolher as suas coisas, seja para vender, doar, guardar para si, consiga enxergar você no lugar onde você viveu. Livros, álbuns, souvenires, filmes, decoração... É parte da experiência de passar por este mundo. Preserve amizades. Conheço gente que muda totalmente o círculo de amigos a cada seis meses.

Veja bem, não estou dizendo para sair comprando desenfreadamente coisas para entulhar na sua casa de tralhas, isso é consumismo. Compre apenas o que julgar necessário e de preferência coisas que carreguem uma história e pessoas na sua compra. Evite coisas descartáveis, pense como se pensava até uns 100 anos atrás e dê preferência para coisas que foram feitas para durar.
 
 
 
Durável, personalizado


Se possível, faça você mesmo. Aprenda um hobby/ofício que te dê dinheiro. Trabalho artesanal com madeira, couro, metal. Você pode fazer coisas que durarão 100 anos ou mais, para você mesmo, para presentear pessoas que você gosta, para desestressar ou até ganhar uns trocados. Quem sabe, até mudar de profissão?

Você estará deixando a sua marca no mundo, nas vidas das pessoas e até mesmo fazendo um favor ao meio ambiente.
   
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O que o Eschwege escreveu me lembrou um pouco a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, mas não tem nada de Marxismo ai. Apenas um pouco do desespero que a desumanização que a vida moderna nos impõe. Vocês que acompanham o blog sabem que sou a favor de você produzir, ser prático e aprender todos os dias coisas úteis. No fim não se trata de dinheiro, e sim de que se você não fizer isso, só estará esperando para morrer.
 
Em breve minha mulher vai escrever sobre suas impressões da sua estadia na Itália, de quando esperava o fim de seu processo de cidadania.
 
 

sábado, 13 de maio de 2017

O papa argentino e o Grinch

Post rápido, sem enrolar com o que quase todo mundo sabe que anda acontecendo no mundo.
 
Em uma realidade onde o ateísmo baseado em cientificismo, niilismo e estímulo à condutas revolucionárias, além da ameaça do islã, o papa Francisco tem prestado enormes desserviços à Igreja Católica (e ao mundo livre), instituição que já salvou a civilização da escravidão tantas vezes.
 
Hoje ele está em Portugal por ocasião da romaria onde os fieis afirmam que Fátima apareceu para duas crianças como milagre. Como não podia deixar de ser, aproveitando o palanque político ante uma multidão de pessoas sem muito discernimento sobre certas opiniões, ele aproveitou para disparar diversas das suas esquerdices.
 
(link)
 
Este papa segue, de um modo ou de outro, a teologia da libertação. Ideologia latino-americana desenvolvida dentro da igreja com cunho comunista. A ideia desta gente é acusar a disparidade entre os homens como causa do sofrimento e retratar jesus como uma espécie de mártir socialista.
 
Ao pregar que a instituição católica deve ser pobre, e a favor da livre imigração de terroristas islâmicos (inimigos declarados da liberdade religiosa), o papa pode até preencher o ego dos admiradores da doutrina do ciúmes, mas acaba por enfraquecer cada vez mais o poder político da Igreja frente às relações de poder que se apresentam na atualidade.
 
Lembro de uma crítica ao conto de natal do Grinch que ouvi certa vez, dizendo que o mesmo ao se arrepender no final, ajudou todo mundo, deu presentes e etc, mas só pode fazê-lo por ser uma pessoa rica. Caso contrário seria apenas um pobre arrependido que não ia poder fazer muito pelos outros.
 
 
 
 
Não é hoje nem amanhã que a Igreja Católica vai ser destruída, mas provavelmente pouco a pouco através das próximas décadas, infiltrada e corroída por dentro por pessoas de moral duvidosa.

Deixa eu dizer uma coisa sobre "ser pobre nos meios e rica no amor". A despeito do mau ambiente que cresci, minha família era assim, e lhes garanto, não se chega muito longe num ambiente assim.

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os concursos públicos que prestei

Olá amigos, hoje vou contar sobre os concursos públicos que prestei durante a vida. Foram três, a contra-gosto pois  desde bastante tempo tenho aversão ao estado e ao funcionalismo público, mas estava tão na merda que vi os concursos como alternativa para ganhar um salário melhor e poder poupar.

Tenho um grande amigo que desde o começo da faculdade era estimulado a estudar para concursos e tem facilidade incrível para decoreba. Isto o levou a passar em um concurso anos atrás de auxiliar de qualquer coisa que lhe dava 1600 reais quando meu estágio pagava apenas R$ 330,00. Isso não me impressionava pois na época eu estava atrás de uma carreira e não de dinheiro. Minha vida estava relativamente fácil e a do amigo difícil. Acordava as 5 da manhã e viajava uma hora para trabalhar no seu cargo sem fururo.

Mais tarde ele usou de sua força de vontade e aproveitou que o governo do PT criava vagas em órgãos públicos todos os dias, e passou em outro que pagava R$ 2300,00 num órgão que defende o estado e processa empresas (muitas sacanagens do estado sei de primeira mão através de amigos funças). Na época era um bom salário que lhe proporcionava uma vida pujante pois ainda morávamos com os pais.

Isso também não me impressionava. Meus planos eram fazer intercâmbio e MBA e desenvolver-me ao máximo em minha carreira. Assim, terminei a faculdade e parti em busca de meus planos.

Ao retornar do exterior, só consegui empregos merda (não que eu não saiba que eles são a regra e não a exceção) e aquilo foi me cansando. Trabalhava como louco, viajei pra varios lugares atrás de empregos melhores e minha vida financeira não melhorava em nada.

Competir com funcionários públicos no Brasil é um jogo desleal, pois eles são uma casta favorecida como todos sabemos.

Como nunca quis tornar-me um, resolvi aproveitar que pedi demissão do trabalho no hotel (leia aqui) e testar-me na prova do Banco do Brasil que é fácil e não exigiria que eu me tornasse um "concurseiro" (o que considero um atestado de fracasso).

Estudei por quase dois meses e fiquei bem colocado na prova. Gostei do conteúdo, pois quase tudo eu já conhecia e aprendi alguns conceitos sobre o sistema financeiro. Feliz ou infelizmente não fui chamado, e decidi que a ideia de seguir trabalhando e prestando concursos para bancos e cargos com requisito segundo grau seriam um bom caminho para mim, pois se passasse e eventualmente fosse chamado, poderia decidir se aceitava ou não. 

Nesta época meu amigo já tinha passado em seu terceiro concurso, para um órgão público que muita gente almeja e acha ser bom trabalhar, o da pirâmide financeira. Segundo o que sei as condições são ruins, as fraudes e perigo de cometer erros e se dar mal também. Apesar disso tudo, haviam bons benefícios e o salário era legal a ponto de considerarmos esse amigo "aposentado" pois ia lá embaralhar papel 6h por dia e depois estava livre pra curtir seus 4k por mês.

Surgiu outro concurso do BB e tirei praticamente a mesma nota mesmo sem ter estudado muito. Logo depois prestei um da previdência social. O salário era muito bom, cerca de 6k por mês e tinha inglês na prova pra reprovar a concorrência. Considero que fui bem na prova mas também não fui chamado.

Minha conclusão disso tudo foi que eu deveria tornar-me um concurseiro caso quisesse passar nas provas em uma boa colocação, ao invés de ficar batendo na trave.

Tive a sorte de arrumar um bom emprego nessa época que me permitia aportar e investir em terrenos. Logo depois casei-me com minha mulher e nossos salários possibilitaram que nossa vida ficasse melhor, sem a necessidade de estudar para um concurso público.

É muito provável que se eu tivesse passado no do BB estivesse lá até hoje. O salário eram 1800 reais + 800 de vale alimentação. Com isso e a segurança do cargo provavelmente eu teria comprado um apartamento e tido um filho, ficando lá preso pra sempre. O bom desse tipo de cargo é que alguém esperto pode usá-lo de trampolim para concursos, ou oportunidades melhores. Pense nisso.

Apenas a título de curiosidade, esse meu amigo largou seu emprego para abrir sua própria empresa e se deu muito bem. Admiro muito a coragem. Ser corajoso é uma característica rara. Contei sua história para chegarmos a uma conclusão.

Agora que a fonte secou e o PT quebrou o Brasil com tantos funcionários públicos blindados e cheios de benefícios, apenas um seleto grupo de concurseiros profissionais mais espertos e com tranquilidade financeira tem chances de passar. Nada mais de aventureiros.

Mesmo assim, acho sensato prestar concursos em áreas que você se identifique, desde a idade que seja possível. Não estou recomendando que você mate seus sonhos e se torne um burocrata inútil na engrenagem estatal, mas ser financiado pelo estado quando jovem pode lhe colocar muitos kilometros à frente enquanto você persegue seus sonhos nas horas vagas.

Não adianta só dar dinheiro para a indústria do concurso público que se desenvolveu no Brasil, junto à gurus de estudo sabichões do sucesso, mas reservar uma grana para estudos e para a inscrição pode sim ser visto como interessante para um Capital Alocado à Risco.

Caso você passe e seja chamado em até dois anos, pode fazer um balanço de sua vida profissional e decidir se pega o emprego por um tempo, até achar algo melhor.

domingo, 7 de maio de 2017

Transformar um real em dois

Transformar um dólar em dois é um dos principais motto dos ricos dos USA. Todos os gurus financeiros que sigo usam o termo, que consiste em fazer com que cada nota de dólar que entra no seu bolso se transforme em dois após um tempo, ao invés de transformá-lo em zero gastando-o. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, transformar um real em dois não envolve truques de mágica, golpes, nem tampouco um intelecto superior, e sim na poupança e investimento em empreitadas lucrativas.

Sempre pense em poupar religiosamente uma parte de todo valor que entrar no seu bolso, e a seguir em transformar esse valor em seu dobro ou triplo, dependendo do estilo de vida que deseja levar.

Uma dica simples e efetiva é: guarde todo o dinheiro que gastaria em coisas inúteis, fúteis e vícios, e invista.

Cada real que você fizer trabalhando, tem de virar dois obrigatoriamente. Isso devia ser matéria de escola primária, uma vez que você gasta (transforma em zero) uma parte de sua renda apenas para sobreviver.

O processo é este:
Nunca gaste mais do que ganha.
Trabalhe mais.
Poupe mais.
Invista.

Isso vai transformar cada real em dois após algum tempo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A história do pedreiro que construiu sua própria casa

Olá amigos,

Nesta semana, a 1 ano atrás, cheguei a Portugal. Nasci pra perder mas vivo para vencer. Faça o mesmo.

Dias atrás falei a respeito do pedreiro alcoólatra e sobre como (pelo jeito) é difícil ser deportado daqui. Hoje trago uma estória de outro construtor, o Zé (nome fictício) a contraparte do alcoólatra, o pedreiro evangélico fervoroso.

Zé é um cara muito legal e faz a vida como estucador (acho que no Brasil chamamos ds gesseiro), ou seja, sua atividade consiste em alisar, nivelar paredes e aplicar acabamentos, e não efetivamente  bater lage e levantar tijolos. Felizmente é oficial (profissional de alto nível), e consegue, mesmo daqui de Portugal, mandar dinheiro pra investir no Brasil.

Pelo que me contou nas breves conversas que tivemos (e admito que eu puxei assunto pois quero conhecer o modo de pensar das pessoas) ele vem de uma família de pedreiros, o que é bastante comum entre operários do ramo, já que aprendem o ofício desde cedo com os pais. Isso é uma vantagem pois essa gente nunca fica desempregada, mas admito que ao longo da vida também identifiquei que muitos crescem com o estigma de que não servem para outro tipo de profissão. Muitos são até ressentidos com quem teve oportunidade de estudar.

Zé disse que morou em Portugal por uns anos, resolveu retornar ao Brasil, onde passou mais 5 anos, e a cerca de 2 está aqui novamente, segundo ele não é pra sempre, apesar de ter contrato de trabalho (com o mesmo empregador de anos atrás, que se tornou seu amigo). O motivo é ter saudades da família e viver em uma praia tranquila, onde nos últimos anos conseguiu acumular um modesto patrimônio em imóveis.

Zé fez uso de uma estratégia de investimento ao alcance de todos: investir em terrenos (lotes) e vendê-los valorizados após alguns anos. Eu mesmo fiz e faço isso. Felizmente tenho família no ramo, que me dá apoio e entregou o modesto conhecimento que possuo disso, mas como todo mundo sabe não é ciência de foguete.

A algum tempo, ao invés de vender a terra crua, Zé resolveu construir casas populares em seus domínios e prover abrigo e conforto aos seus semelhantes, agregando valor na venda. Após consultar pedreiros e calcular as custas de terceirizar a empreitada, ele decidiu aprender via YouTube o que não sabia fazer, vulgo quase tudo, tirando as sapatas da fundação, que pagou o feitio a outro profissional.


Até o momento Zé construiu uma casa, onde um amigo de sua igreja toma conta por enquanto. Não perguntei a metragem e o acabamento, mas como a mão de obra é o que mais consome recursos, o terreno que Zé fisse ter pago 25k e terem oferecido 120 antes dele construir a casa, hoje com a construção deve passar dos 200k, mesmo que seja uma bosta de casa no fim do mundo, pois fica a poucos metros da praia. Não sei se a mesma está regularizada.

Zé mesmo desenhou a planta, baseado no seu gosto pessoal e anos passados dentro de obras. A que estamos trabalhando no momento por exemplo, é uma vivenda de 4 andares que custará mais de 10 milhões de Euros. Sim amigos, eu não tinha noção da existência de moradias deste valor, ainda mais em Portugal que se compra uma casa na praia por uns 50 mil Euros... Claro que já vi notícias idiotas sobre mansões de preços elevadíssimos e imagino que um "Faustão" da vida que tem um puta salário viva numa casa cara pra cacete, mas nunca havia estado em uma.

De resto, incluindo lage, paredes, telhado e pormenores, Zé pesquisou como fazer no YouTube e com conhecidos, e fez sozinho ou com pouca ajuda. Não sei se vocês tem noção disso, mas eu acho fantástico. Zé não se vítimizou nem escolheu uma vida dentro de um escritório por R$ 1500,00 aplicando em CDB até morrer. Zé resolveu tornar-se um barão.

Como a mídia retrata landlords

Fora a casa Zé também está comprando uma grande área à prestações de 5 mil reais por mês em sociedade com seus irmãos. Pretende fazer nela loteamentos assim como meu avô fez durante a vida com seus sócios.

Como disse aqui no blog uns dois anos atrás, tinha o objetivo de construir em meus terrenos (possuo dois) ao invés de vendê-los sem nada em cima. Falei ao meu tio engenheiro que pretendia trabalhar de pedreiro nas obras, assim cuidaria os operários e deixaria de pagar um ajudante. Por mais estranho que me pareça hoje uma vez que eu não tenho muita experiência em construção, ele achou uma boa ideia.

No momento estou trabalhando junto a um carpinteiro e aprendendo bastante. Instalamos portas, chão, reparamos telhados e paredes, e tudo o que tenha a ver com madeira. Neste interim aprendi o básico de tudo (fazer paredes de gesso, instalar azulejos, orçamentos, tempo médio das empreitadas...).

Meu objetivo é tornar-me suficientemente bom para sargentear minhas próprias obras no Brasil sob supervisão do meu tio, cortar custos e corrigir um erro comum nas obras da minha família: aceitar acabamentos mal feitos por displicência e excesso de sangue doce. Coisa que não tenho.

Pessoal, eu sempre digo coisas estimulantes e já fui acusado de escrever auto-ajuda barata, mas acredito no que digo. Se você quer algo, vai lá, se mete com os caras e faz acontecer. Não tem muito além disso pra se ter sucesso em qualquer área.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Como as celebridades falam de riqueza

Olá amigos,
 
Desde que o homem é homem, ser rico é bom e ser pobre é ruim, e a gente tenta de vários modos, seja pela maneira de falar, de vestir, usando joias e etc demonstrar que somos pessoas valiosas.
 
Todos os dias as tais "celebridades", que quase nunca tem algo interessante como célebre, demonstram seu poderio financeiro nos meios de comunicação. Como não podia deixar de ser, isso é também comum no Brasil, claro que de um modo meio distorcido no país onde ser favelado é bom e se você é rico é uma pessoa má, a não ser que seja o Luciano Huck ou o Lula que dão esmola.
 
 
 
 
A maioria das celebridades, sob o cabresto da Mídia, propaga que riqueza é ter amigos, saúde e blábláblá e jamais toca na questão financeira. Quando o fazem, não pisam fora da linha, malhando de modo vago a classe política (ou a "oposição" do poder vigente) e alguma lei que supostamente lese o trabalhador assistidor de novelas e Big Brother.
 
No campo do politicamente correto, ganhar dinheiro posando pelada, jogando futebol, transando ao vivo no BBB ou atuando como "jovem dinâmico" no Youtube quase sempre é mais aceitável que investindo na bolsa ou em uma empresa.
 
 
 
 
Ou seja, a conquista da tranquilidade financeira para muitas celebridades se resume a ganhar dinheiro, em contraponto a outras poucas que foi através de fazer dinheiro. Aqui não estou fazendo juízo de valor. Cada um que cuide de sua vida.

Esses dias assisti no YouTube uma entrevista do Gene Simmons onde ele é perguntado sobre o Trump na presidência e outras bobagens na busca desesperada por atritos sociais (Simmons sempre foi apoiador de Trump), e o mesmo comentou sobre o corte de impostos que Trump deseja fazer e vai beneficiar o mercado de ações, e assim como em seu livro, recomendou aprender a investir em empresas. Isso me chamou a atenção.
 
 
 
 
Poucas celebridades falam de investir, ainda mais em algo tão politicamente incorreto como o mercado de ações, que é símbolo do capitalismo moderno. Mesmo outra pessoa que admiro, Arnold Schwarzenegger, hoje tenta se abster de falar de investimentos, mesmo tendo feito fortuna no mercado imobiliário antes de qualquer outra empreitada.
 
Falar de investimentos e trabalho duro, hoje é um tabu. No mundo das celebridades você deve fazer algo inusitado, mesmo que completamente imbecil a fim de atrair a atenção e ser sorteado com a bolada da vez. Só se fala de talento como algo natural, e não da ética de trabalho capitalista.
 
Nota: o capitalismo permite desde 1600 (link) que um peão seja sócio de grandes empresas e fique rico com sua fatia dos lucros dela.
 
Eu sugiro que você não escute músicas nem consuma mídia que estimula essa desinformação financeira toda. A tal da ostentação é o epítome do lixo cultural que deve ser combatido desde dentro de nossas casas.
 
 

domingo, 30 de abril de 2017

As pessoas que não crescem profissionalmente

Não estou falando de você, atualmente desempregado, nem dos trabalhadores esforçados que não enxergam saída, comprimidos entre seus empregos ruins e a viagem de 2h no transporte público, e sim de quem tem chances e é fraco demais para aproveitar.

Falo de chances no alcance de quase todo mundo. Você tem obrigação de ter uma grande visão pra si mesmo, ou não terá chances na vida.
 
Uma curta estória:
 
Minha esposa passou alguns meses trabalhando em uma rede de restaurantes como "subchefe sei lá do que". No começo foram negociadas as horas e o salário certinho por contrato e com o tempo, assim como o sapo cozido lentamente através do fogo brando, a carga horária e cobranças aumentando, até chegar ao ponto dela ser alocada em outra loja mais longe como gerente e não ganhar nada com isso (sempre digo "cavalo bom trabalha dobrado").

Não estava mais com tempo para nada e se sacrificando pra caramba, apenas pra ouvir babaquices nas reuniões de qualidade onde os gerentes vão. Isso estava prejudicando até mesmo sua saúde e decidimos que ela pediria demissão, principalmente para fazer um curso obrigatório de dois meses para que ela atue em seu ramo aqui, e carteira de motorista. Foi o que fez, deixou todo mundo na mão por os patrões não terem muita ideia de como gerenciar pessoas de modo eficiente (meu post sobre gestão de pessoas).

Não recomendo nada pra ninguém, mas realmente acredito que não se perde mais tempo que o necessário em emprego ruim.

Este post não é sobre como somos "fodas" aqui em casa, e sim sobre como há pessoas que não saem do lugar na vida. Segundo o Arnold Schwarzenegger em seu livro, é cerca de 90% da população.
 
Minha mulher comentou que na empresa há uma pessoa, também brasileira, que está 11 anos em um cargo similar. 11 anos trabalhando perto de 55 horas por semana por um salário ruim... Tem um filho que praticamente não viu crescer. Valeu a pena? É esse tipo de gente que dá má fama aos imigrantes brasileiros, para os próprios brasileiros. Quem sai do Brasil não poupa, não faz um curso, não tem mentalidade capitalista, não vence. Depois volta dizendo que pegou a crise.

Aí temos que aguentar fracassados dizendo que todo mundo que sai do Brasil vem lavar vaso a vida inteira e fingir ser feliz.
 
Esta semana conversei com uns amigos sobre o fato de vermos gente assim em todo lado. Eu mesmo deixei um emprego (contei aqui) quando olhei em volta e vi pessoas ganhando por volta de 1500 reais a dez anos (meu salário era menos de 900). Aquele foi meu primeiro trabalho com carteira assinada depois de formado e já praticamente me abriu os olhos.

Meu amigo, até pedreiro faz mais que 1500 reais. Só tem duas possibilidades de alguém saudável ficar pra sempre neste patamar: não se qualificar, e não ir atrás de trabalho onde ele existir, ficando estagnado na sua empresa. Ou seja, em 5 anos você tem que estar ganhando mais, e assim por diante, e não é por benevolência do patrão.

Brasileiros em geral se sujeitam à condições ruins por tempo demais nos empregos mais do que outros povos por culpa da cultura submissa. Não existe negociação entre patrão e empregado e tudo é regido pela CLT. Nos acostumamos ao sindicato e aos políticos nos "garantirem" o que é certo e errado.
 
Eis a grande novidade: Um patrão não tem a obrigação moral de tratar bem o empregado ou pagar corretamente se este não o exigir nem souber o quanto seu trabalho vale.
 
 
LEIA ESTE LIVRO
 

Desde meu primeiro dia de trabalho seja no que for já calculo como chegar a chefe ou dono de um negócio daqueles  (raramente isso da certo mas não importa).

Como podem não ter ambição? Ambição é a chave do reino.

Você tem que ter fome de sucesso dentro de si. Ganhar dinheiro, conquistar coisas, ser admirado como pessoa, criar valor e cobrar cada vez mais caro por sua hora de trabalho.

sábado, 29 de abril de 2017

Filme do mês: O Conde de Monte Cristo

Olá amigos, dia do artigo sobre um filme que eu recomende ou não. O de hoje com certeza é muito recomendado.

Se quiser ver as outras análises clique nos links abaixo, e não esqueça de assistir ao filme antes de ler o texto pois contém spoilers!

Fogo Contra Fogo (link)
Comer, Resar e Amar (link)
Quatro Irmãos (link)
O Troco (Link)
Sem Limites (link)


 
O Conde de Monte Cristo

Trailer


Este filme de 2001 (tem duas versões mais antigas) é baseado no conto fantástico de Alexandre Dumas (mesmo autor de Os 3 Mosqueteiros) e posso dizer que sem dúvidas é um filme emocionante do começo ao fim. Se você gosta de estudar a técnica do cinema recomendo também o making off.
 
Quem é pobretão esforçado e se sente injustiçado pela vida (Pobre Sofredor continue lutando com bravura) provavelmente vai identificar com facilidade essas questões no protagonista Edmond Dantes, um jovem de classe baixa que sobrevive ao inferno em vida.

Dantes (se pronuncia Dantê) era um cara normal, de coração puro, católico, conservador e trabalhador, noivo de uma gata classe média, que era marinheiro em um navio mercante. Certo dia o capitão de seu navio fica muito doente em alto mar e eles são obrigados a aportar na ilha de Elba, onde o ditador francês populista Napoleão Bonaparte estava aprisionado sob a lei inglesa. Na noite em que seu capitão morre, Napoleão pede ao analfabeto e ingênuo Dantes que ele entregue uma carta a um amigo (a carta continha planos para sua fuga).
 
Ao retornarem à Marselha, na França, o dono da empresa de transportes marítimos parabeniza Dantes por, mesmo tendo posto em risco o navio e sua valiosa carga, ter tentado o impossível para salvar a vida de seu capitão e é feito o novo capitão do navio Pharaon. Isto significava que agora Dantes ia poder aportar e alcançar a Independência Financeira um dia, e era digno para casar com a moça de boa família, desejada por seu amigo aristocrata Fernand Mondego.

A gatíssima Mercedes e Edmond Pobretão.


Mondego era um hábil espadachim e metelão irresponsável.
 

Puto da cara por não ter se tornado capitão, o imediato Danglars junta-se à Mondego, que vai ao magistrado corrupto Villefort (o típico petista) da cidade e abre o bico sobre a carta de Napoleão que Dantes iria entregar. Chamado na frente do "homem de preto", Dantes abre o bico sem ao menos consultar um advogado sangue-suga. O magistrado lê a carta, a queima, e acredita que dantes é ingênuo sobre o assunto, mesmo assim lhe envia ao Castelo D'if (sua masmorra é aberta à visitação hoje em dia), para que pague pena perpétua por alta traição.

Porque destruir uma prova tão importante?

 
Na cadeia Dantes fica louco de solidão e por levar surras dos guardas, até que um padre, posto na cadeia anos antes à mando de Napoleão brota no chão de sua cela por ter passado anos cavando para o lado errado.

Dantes e Abade Faria

 
O padre é um personagem muito legal. Ele foi militar e para sua vergonha eterna, queimou uma igreja com gente dentro por ordem de seu oficial. Para se redimir virou religioso e secretário do "imensamente rico" Conde Espada (nome poderoso), porém foi aprisionado por Napoleão para que contasse onde estava escondida a vasta fortuna do já falecido conde.

Acho fantásticas as cenas passadas na prisão, e emocionante quando o padre barganha com Dantes sua ajuda em troca de conhecimento. Prepare o lenço para quando Dantes pergunta se aprenderá a ler e escrever.

Dantes aprende economia, matemática, línguas, educação erudita e finalmente, artes marciais. Praticamente tudo o que um homem precisa aprender na vida.

Por um acidente o padre morre, mas antes revela um mapa para o tesouro do Conde Espada, para que Dantes o use para o bem e não para sua vingança. Dantes consegue escapar de modo totalmente inusitado e acaba conhecendo piratas e ganhando um servo fiel.

Algum tempo se passa e Dantes encontra o tesouro, tornando-se o homem mais rico da terra. Determinado a se vingar, ele decide se tornar um Conde para se aproximar dos poderosos que o traíram, e adota Monte Cristo como seu nome, local onde estava escondido o tesouro.

Conde de Monte Cristo em sua versão sacana e sem tempo pra palhaçada.
 

Ao retornar ele decide atacar as fraquezas de seus inimgos. cobiça financeira, liberdade, família... Gosto muito da cena onde ele visita seu antigo patrão para colher informações, hoje um homem velho e pobre por ter sido traído por Danglar, que diz não ter tido sorte financeiramente vida a partir da prisão de Dantes. Dantes larga um saco de ouro na mesa e fala: "sua sorte acaba de mudar".

A partir de então Dantes executa seu plano, prende, agride e mata quem merece.

Arruinado pelas dívidas e com a honra ferida pela cornitude, Mondego desiste de fugir
e volta pra porrar.

Dantes fica com a mulher, que havia casado rápido com Mondego já grávida pra não ficar em desgraça. Ele também compra e desativa o Castelo D'if e vive feliz para sempre.
 
A história é cheia de lições valiosas: Na vida nada é garantido e você deve fazer o máximo para melhorar em todos os sentidos, ser prático e acumular conhecimento útil. Que dinheiro e poder são importantes, assim como outras instâncias na vida do homem.

Também que as vezes a gente passa anos cavando pro lado errado.

Que um homem precisa de amigos, e principalmente, que ter pena de sí mesmo leva invariavelmente à derrota.

Nota 9,5.
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O perigoso pedreiro homicida

Olá amigos, hoje vou lhes contar uma anedocta com uma lição para ponderar, principalmente para quem deseja sair do Brasil e tem medo de ser deportado por qualquer motivo. Lembro que este blog não recomenda nada para ninguém, principalmente fora das regras e leis.

A poucos dias conheci um senhor, brasileiro, que vive aqui a uns 15 anos. Ele é pedreiro oficial (pedreiro top rank) ou seja, faz lá seus 50 e poucos euros ao dia (acho) como empregado em obras. Vamos chamá-lo de Sebastião (nome fictício).

Sebastião não tem contrato de trabalho, pois sua profissão não impõe essa necessidade uma vez que já estabeleceu uma boa rede de contatos e patrões que demandam seus serviços. Neste ramo isso é relativamente fácil e rápido. Ele prefere ser freelance como muitos outros (eu incluso) do que seguir a um mestre.

Aqui a primeira "dica". Quem trabalha em alguma área da construção civil acha emprego em quase qualquer lugar do mundo, muitas vezes com contrato de trabalho dependendo da perícia e necessidade de mão de obra do contratante.

Trabalhei em uma empreitada (carpintaria) por cerca de uma semana em uma obra onde ele estava fazendo seu trabalho, e com o passar dos dias fomos batendo papo. Assuntos banais, que de maneira estranha pareciam sempre convergir pra cachaça.

Confesso que gosto muito de cachaça artesanal, de alambique. É minha bebida alcoólica favorita, mas sou um cara sério e tenho poucos amigos por diversos motivos, incluindo não gostar de papo furado nem de beber durante o trabalho, principalmente quando sou pago por empreitada e não por hora. Sou bastante educado e trato as pessoas com muita importância e atenção independente de quem sejam mesmo assim.

Notei que Sebastião se ausentava de tempo em tempo para ir ao boteco ou supermercado próximo tomar uma cerveja, além de no almoço dividir uma garrafa de vinho com seus camaradas. Pelo menos no Brasil não é segredo que existe problema com alcoolismo entre muitos operários da construção civil. Ter ou ser, um verdadeiro capataz controlando e orientando os operários caso você pretenda construir é muito importante para não ser passado pra trás.

Acredito que beber algo após o almoço seja comum aqui pois conheci muita gente com bafo de cana neste horário. Liguei os pontos e inferi que ele devia ter esse problema.

No último dia que fiquei lá ele teve de sair mais cedo. Aquele homem sempre coberto de poeira e de roupas rotas estava agora apresentável, porém com alguma vergonha de se ausentar do trabalho antes do fim. Começou a dar desculpas como se quem estivesse ali precisasse aprovar. Fiz as perguntas certas e ele abriu o bico.

Estava indo à algum lugar assinar sua presença mensal pela condicional. Sebastião havia se envolvido não em um, mas em dois acidentes de trânsito mais graves aqui em Portugal. Em um, atropelou uma pessoa, em outro atingiu em alta velocidade outro carro e machucou seriamente alguém. Segundo ele, passou alguns meses preso e estava pagando a vários anos uma espécie de indenização para as vítimas.

O pior é que o cara continua bebendo todos os dias, desde o café da manhã. As vezes contava vantagem por ter bebido a madrugada inteira. Isso é triste.

Ele não tem certidão de residente, nem contrato de trabalho, nada. Até o momento não foi deportado. Isso me deixou intrigado. Processo normal todo mundo pode responder, mas achava que ilegais que cometiam algum crime corriam um risco alto de levar um pé no rabo.

Talvez isso ocorra após ele pagar totalmemte as indenizações nos próximos anos? Não sei.

Como eu disse, não recomendo nada a ninguém. O que trago hoje é que muitas pessoas querem fazer tudo correto na  hora de migrar, quase que esperando que um guru pegue pela mão, ai vêem que dá um trabalhão e desistem. Outros vão... e ficam.

Estou trabalhando junto de um cara que viveu alguns anos ilegal nos USA. Ele disse que se não cometer crime (hoje em dia não sei) pode ficar numa boa, claro, sem direitos de cidadão. Ele só não pode voltar aos USA pois foi ao Brasil resolver uns problemas pessoais, e nunca mais deixaram retornar.

Abraço a todos.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Conversa com um amigo sobre investimentos

Um amigo que trabalha em um banco no Brasil sabe que me interesso por dinheiro e investimentos, veio no whatsapp pedir que ajudasse uma amiga sua que mora na Suíça a investir. Foi mais ou menos assim:

- Uma amiga que mora na Suíça quer dicas pra investir dinheiro todo mês. Falei pra ela que mandar pro Brasil não vale a pena. No que ela pode aplicar aí?

- Não sei, só conheço investimentos do Brasil.

- Ela vai investir cerca de R$ 500,00 por mês. O que tu recomendaria?

- Manda ela comprar uns livros de finanças pessoais e assistir esses vídeos (mandei um vídeo do Bastter). Ela pode abrir conta em alguma corretora e começar no Tesouro Direto se não precisar do dinheiro. Ela tem reserva de emergência?

- Ela é leiga... Dá pra abrir conta em corretora desde aí da Europa?

- Dá acho, fale pra ela entrar em contato com a (corretora x; corretora y; e corretora Z) perguntando o que precisa.

- Muito complicado...

- Então diz pra ela por na poupança até saber o que fazer com o dinheiro.

- Se ela deixar na poupança, a universidade X pega... heheh saiu devendo pra todo mundo.

- Diz pra ela pagar as dívidas antes de qualquer coisa.

- hehehe é...

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Conclusão:

Quase ninguém sabe nada de finanças pessoais, nem um cara que trabalha em banco a mais de 10 anos (investe em consórcio).

As pessoas tem preguiça de aprender. Já mandei material pra amigos e familiares, nenhum se dispôs a estudar, nunca.

Em contrapartida todos sabem "lutar por seus direitos".

domingo, 23 de abril de 2017

Montando minha carteira de ações

Boa tarde amigos.
 
Antes de começar o post gostaria de comentar que de vez em quando eu digo "o próximo post será sobre tal coisa" mas acabo protelando por qualquer motivo. Tenho três no prelo: um com HARD DATA sobre como a família é vital para acumular patrimônio, outro sobre a venda da empresa e meu novo trabalho e outro é o "filme do mês" que espero que gostem.
 
Finalmente estou montando minha carteira de ações "à vera". Acho que desde 2010 fiz isso umas 10 vezes, porém sem efetivamente comprar ativos. Lembro que (lá vou eu contar anedoctas) a primeira empresa que analisei, de modo rudimentar, foi a Cielo. Foi um negócio um pouco a lá Peter Lynch... Eu simplesmente via a maquininha de pagamento em todo o lugar e tive um insight sobre como aquele negócio era lucrativo. Eu disse à minha esposa que ia comprar e ela me deteve (na verdade eu mesmo me detive por falta de estudo), dizendo que as pessoas iam fazer pagamentos com celular e a Cielo ia falir. O tempo passou e me arrependi de não ter dado aquele passo.
 
Outra vez foi a Vale. Aliás praticamente posso dizer que tenho um sexto sentido em relação à vale, desde que ela foi privatizada (eu ainda era garoto) ela é a primeira empresa que me vem à mente quando penso em ações e algo me diz quando vale e quando não vale investir nela (logicamente isso é bobagem). Anos atrás tive um insight para fazer uma espécie de position trade com ela e hoje vejo que teria ganho dinheiro.
 
Ai vão algumas outras escolhas que observando o passado eu teria me dado bem em todas, mas na prática a gente nunca sabe. Tive sorte de estudar muito o conteúdo do Bastter e analisar as empresas quando eles dispunham os dados de modo grátis, mas agora fazem uns bons meses que eu ignorei o assunto apenas me concentrando na minha empresa e praticamente esqueci tudo, até sobre quais indicadores básicos olhar.
 
Pensei rapidamente na seguinte lista de ações pra estudar:

Hering, Natura, Engie, Cielo, Itau, Ezetec, Weg, Renner, Ambev, Vale, Eternit, Grendene, Apargatas, Hypermarcas, Taesa, Kroton, Odontoprev, Raiadrogasil, Whirlpool, Ambev, Klabin, Ultrapar, Cosan, Gerdau, AEStiete.

De qualquer modo, primeiro vou escolher alguns setores, e destes escolher a melhor empresa do setor baseado nos números. Meu objetivo é ter de 6 a 12 ações ON.
 
Indicadores:
Estar entre as 50 mais negociadas
Patrimônio Líquido crescente
Receita Líquida consistente
Lucro Líquido consistente
Margem líquida > 20%
ROE acima da taxa de juros
Dívida bruta / Patrimônio Líquido < 0,5% (a não ser que a dívida seja equilibrada ao lucro e patrimônio)
Dívida Líquida / EBITDA < 2
índice de Basileia (nos bancos)
Ter praticamente monopólio do mercado

Tenho usado o site Fundamentus o da bovespa e o filtro de ações (screaner) do site investing. Agradeço se alguém indicar uma fonte com dados dos balanços em forma de gráfico como tinha no site do bastter.

Agradeço sugestões de empresas para estudo e indicadores a observar.
 
Não recomendo que ninguém siga nada deste blog e não sou profissional da área de investimentos. Não recomendo nada a ninguém e não sou responsável por suas escolhas.
 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Melhore o convívio em casa

Olá amigos, sobre a importância da família trago hoje a discussão sobre como ser melhor visto, tratado e produzir um melhor ambiente dentro de casa. Este é talvez o objetivo mais importante na vida, tornar o lar um lugar de paz e verdadeiro porto seguro. O que escrevo neste post sao os primeitos passos e é direcionado aos "betas" de ambiente familiar ruim.

Leiam o post excelente do Frugal (aqui).

Nossa cultura geral brasileira, por tantas décadas bombardeada pelo marxismo cultural acabou por desvalorizar o ambiente familiar a ponto de desenvolvermos desprezo pelos familiares quando os problemas comuns do convívio se apresentam.

Eu tive uma relação ruim com meus familiares, principalmente com meu pai e por culpa dele (maluco) mas não fico me vitimando. Sou trabalhador, poupador, corajoso e blablabla, mas fui um mal filho no geral.

Foi a poucos anos que notei que a despeito dos maus tratos em casa, sempre gastei meu dinheiro com amigos ou em coisas para mim e jamais levei uma maçã pra dividir com meus pais.

O problema de não nos desenvolvermos como bons "cidadãos" dentro de casa é totalmente cultural. Famílias onde responsabilidade e uma relação de benefício/punição é instituída desde o início, onde se dá a devida importância para dentro de casa ao invés de objetivos fora dela quase sempre prosperam mais.

Aprendi serviços domésticos por necessidade pois meus pais trabalhavam e estudavam e isso valeu muito a pena.

Hoje em dia não é mais a mulher quem cuida da casa e dificilmente você vai achar alguém assim. Aliás, enquanto viver sob o teto pago por outra pessoa você tem obrigação de pagar pelo que consome, seja com dinheiro ou trabalho, desde que não seja explorado como um escravo.

Lembre do ditado: "cavalo bom trabalha dobrado" e leia "A Metamorfose" de Franz Kafka.

Um dos grandes livros já escritos.

Ai que entra a maturidade pois identificar a medida de colaboração e ser explorado é bastante dificil, e quase impossível num ambiente onde você não é valorizado e algum outro não colabora, como é comum em nossas famílias. De qualquer modo, a seguir algumas atividades que você deve fazer sem esperar nada em troca.

1. Arrumar a cama.
Quem não arruma a própria cama ao levantar não tem chance.

2. Lavar a louça.
Coloque no lixo o resto de comida dos pratos e empilhe a louça na pia. Jogue água quente e lave tudo. Eu faço no fim do dia.

3. Lavar, estender e guardar roupa.
Quando acumular roupa suficiente que justifique usar a máquina você lava, estende e depois dobra e guarda. Simples.

4. Varrer e passar pano.
A cada 3 dias passe uma vassoura na casa, não espere ninguém mandar.

5. Manter o ambiente organizado.
Depois de usar coloque no lugar. Não acumule papelada nem quinquilharias, e todos os dias gaste 5 minutos organizando tudo.

6. Dar bom dia e boa noite, agradecer.
Seja cordial com as pessoas que moram com você. Ninguém suporta aquele vadio que dorme até as 13h e quando acorda vai catar comida. Tente não gritar nem ofender. Faça isso com seus inimigos, não familiares.

7. Comprar alimentos e consumíveis.
Uma vez por semana compre alguns alimentos, uma carne, um pão, geléia, shampoo, papel higiênico... as pessoas apreciam gestos assim.
Presentear com um livro de vez em quando surte efeitos positivos. Você tem a obrigação de alimentar sua casa com cultura e não deixar tudo pro youtube, vizinhos e pra escola...

8. Comprar ferramentas e reparar a casa.
Seja pró-ativo e repare o que estiver fodido para ser mais respeitado e viver num lugar melhor.

9. Pagar uma quantia justa das contas.
Proponha pagar a conta de luz ou outras. Quem faz isso se sente mais responsável pelo desperdício e pela casa.

10. Ser grato por estar lá, não abusar e quando puder ir embora.
Tomar banho em 3 minutos, escovar os dentes com torneira fechada, levar o lixo... quando tiver condições pegue suas coisas e desapareça, como ia querer que seu filho fizesse.
Jamais minta para familiares. Se eles forem fofoqueiros, simplesmente não conte nada.

Sugestão:
Leia os livros e assista
a videos do Içami Chiba


Nenhuma família é perfeita e de fato a maioria é um lixo. Mas o ideal de família é muito importante e não é atacado por acaso. Falei disso de modo vago (aqui) mas se você considera essas atitudes acima baboseira, no próximo post vai mudar de ideia pois vou demonstrar porque a família é vital para o acúmulo e propagação do patrimônio.

Tenha um projeto para sua vida e sua família, e que este projeto seja o seu mais importante.

sábado, 15 de abril de 2017

Animais de estimação custam dinheiro

Quero aqui falar um pouco das despesas que um animal trás e porque é tão importante ter experiência com eles antes de decidir ter um filho.
As pessoas não prestam atenção em determinados passivos por causa da cultura e valores sociais e familiares. Quase no mundo todo, ter animais de companhia é um hábito comum, e cada vez mais as pessoas consideram animais no mesmo status que pessoas.
Não que isso seja um fenómeno novo. Na antiguidade foram feitos até cerimônias oficiais com luto e tudo para cavalos de guerra que morriam, dada sua importância na sociedade. O cavalo, e não outro, é o animal mais importante na história humana. Esteve presente em todos os momentos da nossa história, na construção, transporte e defesa das sociedades. Além de ser um bicho fiel e bastante inteligente, quando se quer xingar alguém de bruto as vezes se usa o adjetivo "cavalo". Como se a selvageria não fosse inerente também ao homem, e determinado nível de adestramento seja necessário a todos.
Nos exércitos, o cavaleiro e a cavalaria eram sinônimo de status, não só porque o guerreiro montado tinha uma vantagem enorme contra alguém à pé, mas porque manter um cavalo era muito caro (e ainda é).
Cavalos sim são os melhores amigos do homem.
Hoje com o espaço urbano diminuto, e o empobrecimento geral das pessoas diminuiu o número e o tamanho dos animais de estimação que cada família costuma ter. As leis e regulações proibindo certos animais úteis em razão do odor e do barulho na zona urbana contribuiu pro empobrecimento e afastamento do homem da natureza. Hoje você não pode ter um pequeno galinheiro no pátio, mas pode transformar seu terreno em um verdadeiro lixão a céu aberto e ouvir música alta até a madrugada que as autoridades públicas muito provavelmente nada farão. Também não se pode criar umas carpas numa caixa d'água por causa daqueles ficais que as prefeituras empregam pra encher o saco das pessoas quando aparece um surto de dengue.
Com o advento da internet de alta velocidade as amizades humanas estão cada vez mais afastadas, por mais que a gente mantenha contato com o "melhor lado" das pessoas através dela. A maioria dos seres humanos é chata, e remediamos isso com alguma "eugenia" nos animais, produzindo-os em laboratório do jeito que se adapte melhor às necessidades e carência das pessoas. Que outra necessidade tem um cachorrinho minúsculo, que mal se move e é totalmente dependente, senão suprir uma enorme carência de utilidade que o dono sente? A pessoa é tão inútil e desvalorizada que precisa ter alguém mais fraco pra cuidar... Cheguei a presenciar absurdos como ver pessoas empurrando carrinhos de bebê com o cachorro em cima.
Criatura horrenda.
Lembro que quando criança, muitas famílias tinham cães poderosos para proteger sua propriedade e alegrar o coração. Os custos disso hoje são proibitivos. A ração é mais cara que comida de gente. Ninguém mais complementa com restos de comida (que hoje no Brasil está racionada para muita gente) e os gastos com veterinário são altíssimos. Além da cultura do "cão de raça ou nada" que se instalou no Brasil, ou seja, pra ter um cachorro grande hoje você tem que desembolsar uma puta grana, ou se contentar com adotar o cão que achar, geralmente cães doentes e inúteis na defesa da casa (sou a favor de adotar animais mesmo assim).
Não tive cães na infância pois era pobretão. Também acho eles mais sujos, fedorentos e causam mais prejuízo que gatos, os quais considero mais auto-suficientes e graciosos... O que não lhes tira o status de animal inútil para os dias atuais, afinal minha casa felizmente não precisa ser protegida de ratos e baratas.
Falei um pouco dos meus dois gatos de estimação (aqui), mas não comentei o quanto já gastei com eles. Um teve que tirar um olho estragado, e para nossa má-sorte o outro comeu seus remédios e quase morreu por intoxicação nos rins. Nisso tudo gastamos uns R$ 1000,00. Teve mais tarde a viagem para Portugal, que umas amigas se dispuseram a trazer sem cobrar, mas tive que pagar umas taxas, caixas de transporte, vacinas e exames caros, arranhador, brinquedos, tela de proteção nas janelas, e a ração que deve dar uns € 20,00 por mês. Ou seja, nada disso havia sido contabilizado no meu plano para ter Independência financeira.

De 2015 pra cá devo ter desembolsado mais de 5 mil reais com eles.
Na questão de quebrarem e desorganizarem o ambiente, até que os meus são educados e tranquilos, mas não é nada incomum que gatos destruam completamente o sofá e derrubem coisas frágeis pelo prazer de vez espatifar. Ou seja, assim como um filho na casa, a vida útil das coisas diminui bastante.
  
Pessoas consumistas compram cães de raça por milhares de reais. eu tinha uma colega de trabalho, que vivia de salário em salário, mas tinha um bulldog de 6k que tinha que ficar no ar condicionado pra não morrer.
Outra coisa comum que precisamos conviver no Brasil é com visinhos que tem aqueles cachorrinhos que latem o dia inteiro. Se você tem um destes, senhor (a), você é um imbecil.
 
 
Conclusões
 
Não coloquei os gastos com os bichos no papel, mas devia ter feito. Pra quem esperava não gastar nada com dois simples gatos, já gastei uma pequena fortuna.
 
Na nossa cultura é inaceitável se alimentar de animais de estimação, lembre disso pois eles não são um investimento.
 
Se é para ter um animal e não passar tempo junto, não brincar, nao dar comida decente e água limpa,  não respeitar, nao observar se está doente e levar ao veterinário, é melhor não ter. Com crianças é igual. Cheio de crianças sendo criadas pelos avós, pois os pais não tem tempo e condições.
 
Continua válida uma dica que dei uma vez, antes de ter filhos tenha animais de estimação por pelo menos 5 anos pra se acostumar com o trabalho e os gastos.
 
Você que tem animais gasta muito com eles?
 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Feriados te deixam pobre 2 - Sexta Feira Santa

Bom dia amigos, hoje é sexta-feira santa segundo a tradição católica e pessoalmente considero o feriado religioso mais importante de todos. Se quiser ler meu artigo anterior sobre feriados, clique (aqui).

Pra quem não está familiarizado com a história, sexta-feira santa, ou sexta-feira da paixão é a data em que Jesus Cristo foi espancado até a morte por ameaçar o poder do estado em um território que na época era dominado pelo império romano e administrado pelos judeus. Foi julgado e condenado a apanhar como um bandido comum e pregado em uma cruz para morrer sofrendo lentamente.

Cena do filme "a paixão de cristo"

Apesar de eu ser um estudante amador de religiões, não me considero uma pessoa religiosa, porém considero rituais extremamente importantes para a formação espiritual e moral do ser humano. Além disso minha esposa foi criada segundo as boas tradições conservadoras da Igreja Católica e não nos sentimos mal em dar algum cuidado à mensagem judaico-cristã a qual nossa civilização é baseada.

Concordo com o Pondé

Deste modo considero a data importante para observarmos que Jesus nazareno foi um verdadeiro homem de guerra o qual se importava mais com o bem geral das pessoas que com sua própria vida e hoje é um dia triste. Neste dia é importante não consumir álcool (estou louco pra beber uma Cergal de 60 cêntimos o litro mas vou me controlar kkkk), nem música, nem buscar prazeres efêmeros para sentir uma fração da dor deste mártir e evoluir como ser humano. Quem é mais fiel não deve comer carne.

Aqui em Portugal, por ser um país católico não se trabalha hoje e isso nos deixa pobres. Não só pela loja estar fechada mas porque estou trabalhando com um carpinteiro também  (logo falo desta nova aventura) e as obras todas ficam paralisadas. Por um lado vejo isso com raiva pois, apesar das pessoas poderem guardar o dia para observar seus erros, muitos vão é curtir o feriadão e ficar mais pobres. Até porque tem muitas pessoas de outras religiões aqui ou que estão cagando pra sexta-feira santa e só se importam com os chocolates da Páscoa.

Também vejo trabalhar como algo que alegra a vida se este trouxer condições de enriquecer. Mudei minhas opiniões a respeito disso nos últimos anos e é um tema para um futuro post.

Bom feriado a todos, reservem ele para refletir sobre questões importantes, e um abraço virtual do CF.