domingo, 28 de maio de 2017

Filme do mês - Last Man Standing (O Último Matador)

Links dos outros filmes que descrevi:

- O Conde de Monte Cristo
- Fogo Contra Fogo
- Comer Rezar e Amar
Segue o trailer. Não esqueça de assistir ao filme antes de ler o post pois tem spoilers.

Trailer

Last Man Standing

Mais um filme do gênero Neo-noir, pra variar. Gosto muito desse tipo de filme. Os personagens tem personalidade marcante e demonstram uma espécie de Ethos que me inspira.

O filme começa com uma fala introspectiva, como não podia deixar de ser no gênero, de "Jhon Smith" (Bruce Willis) - o nome mais comum e sem linhagem dos USA - onde ele diz estar indo rumo ao México para esconder-se por uns tempos.

A história se passa durante a lei seca. O carro de Jhon acaba estragado em uma cidadezinha poeirenta do Texas dominada por duas gangues rivais de contrabandistas de whisky, onde a lei é corrupta. A fórmula clássica da aventura onde o herói está sozinho no escuro.


Logo no começo, o protagonista sofre ameaças e é agredido por uns gangsters. Quando procura a polícia, o xerife lhe diz que é melhor se mandar.

Primeira lição: longe de casa e sem amigos, tudo fica mais difícil.

Ao invés disso Jhon se hospeda numa espelunca, pois é um homem de violência e enxerga no lugar uma oportunidade de lucro, vendendo seus serviços de pistoleiro fodalhão.

Segunda lição: vá para onde tiver trabalho.
Uma das coisas que gostei deste filme foi que o protagonista se mantém sempre frio e vê tudo simplesmente como negócios. Também que como é marca registrada dos personagens do Bruce Willis, o herói apanha que nem cachorro de rua e não vence fácil.


Depois de matar um dos bandidos pra mostrar que é macho alfa, Jhon é contratado (sem carteira de trabalho) por uma das gangues.

Terceira lição: Seja realmente bom em algo. Eu demorei pra aprender a importância disso na vida. É muito importante ser suficientemente bom em algo que em que você possa achar emprego em qualquer lugar, ou pelo menos sobreviver sem se endividar caso sua atividade principal esteja ruim. Se sabe trabalhar em algo, aprenda outra coisa, e outra, pra sobreviver em qualquer terreno.

A partir dai, o cara simplesmente fica jogando para os dois lados e exigindo mais dinheiro por ser bom de tiro, enquanto manipula e deixa todo mundo nervosinho.

Quarta lição: Trabalhe pra quem pagar mais sempre que tiver a oportunidade (sem fechar as portas atrás de você). Você não deve nada para nenhum patrão. Claro que a vida não é filme de bang-bang, mas como no filme,  entre por pão na mesa e ficar de bem com o chefinho, escolho pão na mesa.

O filme foi escrito pelo Akira Kurosawa, então espere traição após traição. Também tem muitos tiroteios pra quem gosta de ação, e um filtro amarelo pra passar uma imagem de forte calor.

pew pew


Para mim este é o melhor filme do Bruce Willis junto com os dois primeiros Die Hard.

Nota 9

sábado, 27 de maio de 2017

Da série eficiência estatal - Correios

Recentemente houve uma discussão saudável sobre a eficiência de órgãos e empresas públicas aqui no blog. Eis que me deparo com duas notícias sobre este exemplo de gestão chamada Correios para que se ponha uma pedra no assunto, ou não.

http://exame.abril.com.br/economia/correios-podem-demitir-em-nova-reestruturacao

http://exame.abril.com.br/negocios/presidente-dos-correios-diz-que-monopolio-e-insustentável


Lendo que a ineficiência da gestão pública é uma "falácia".

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Trabalho e segurança em Portugal

Olá amigos, ainda não tive tempo de responder aos comentários do último post. Acontece que estou em uma praia trabalhando em um belo deck esta semana. Primeiro trabalho longe de casa na minha nova profissão. Isso é chato. Achava que não ia mais fazer esse tipo de coisa como tinha que fazer no Brasil.


Já queimei a perna em um compressor incandescente, a cortei, a pele dos meus pés virou carvão na areia, e hoje estou particularmente destruído, pois carreguei no "lombo" mais de duas toneladas de tábuas, mas garanto que não troco nada disso por outros trabalhos que tive.

Tenho aprendido muitas coisas que me vão ser úteis pro resto da vida e em meus projetos de construção civil. Como disse, esse é meu "plano de aposentadoria". Até aproveitei este trabalho pra tirar umas dúvidas sobre fundações. O dia que chegar numa obra minha não vou ser nada bobo.

Achar uma profissão em que você goste de aprender ao invés de o fazer por obrigação é realmente difícil. 

Queria comentar neste rápido post algo que ainda me deixa intrigado. A segurança neste país é admirável. Existem roubos e crimes, mas só ouço falar, e são coisas banais pra quem vem de um lugar onde traficantes decapitam seus rivais.

Na Irlanda mesmo o que direi a seguir não seria possível.

Deixar a carrinha aberta quando vamos almoçar, ou deixar ferramentas na obra, na praia, e ninguém mexer, nunca havia imaginado. Não vou me aprofundar muito na questão, deixo só o relato.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Preço importa?

Com os últimos acontecimentos da política brasileira que impactaram fortemente nos preços dos ativos listados na Bovespa, discussões sobre preço e "Filosofia Bastter" voltaram ao topo na blogosfera. Vou dar minha impressão sobre isso em não muitas palavras.
 
Este texto, assim como tudo o que escrevo neste blog, NÃO É RECOMENDAÇÃO. Não sou profissional de investimentos e o que escrevo aqui são apenas minhas reflexões e opiniões pessoais e servem apenas para mim. Não me responsabilizo por decisões dos outros.
 
Preço importa pra quem faz trade de valor, ou seja qual for o tipo de trade. Preço importa pra quem vai fazer uma compra grande de ações, afinal nisto se comparam os ativos pra comprar o que se supõe estar com o a relação preço/valor mais baixo. Preço importa pra quem faz relativamente poucas compras. Preço importa pra quem prefere diversificar pouco e buscar margens de lucro maiores, a um risco maior. Preço importa pra quem tem tempo pra estudar bem os ativos. Preço importa pra quem se aprofunda em valuation.
 
Preço "não importa" pra quem faz compras mensais, pequenas. Preço não importa pra quem apenas quer investir e ser sócio de empresas saudáveis que dão lucro, de modo diversificado. Preço não importa pra sardinha que aporta migalhas. Preço não importa pra quem não tem tempo pra ficar estudando empresas de maneira exaustiva, porém opta por eliminar as porcarias através de poucos indicadores.
 
Em "não importa", quer dizer que, para o pequeno investidor amador, é mais importante eliminar as porcarias através de um "filtro" de indicadores básico (cada um cria seus critérios), aportar mensalmente o $ que sobra, e trabalhar e desenvolver-se mais em sua atividade, pois isto invariavelmente aumentará mais seu patrimônio que fazendo escolhas excelentes com seu pequeno aporte.
 
Para o pequeno investidor vale mais a pena aportar mensalmente no que tiver valor do que tentar acertar quais são os melhores ativos para manter seu dinheiro. Tenho certeza disso, por mais que surjam exemplos pontuais mais esdrúxulos a lá "empiri..." de como o correto seria entrar e sair no momento certo.
 
Por fim só queria falar uma coisa sobre o Bastter.
 
Vejo muita gente criticando o cara de um modo bem mal-educado, dizendo que só é rico por ser médico e tudo mais. Bem, eu aprendi muito com os vídeos dele, e considero seu livro "Eu Quero Ser Rico!" o melhor livro de educação financeira já escrito no Brasil.
 
Sobre a opinião dele de preço não importar, vi diversas vezes o mesmo falando que o investidor pode e deve estudar mais valuation e desenvolver seu método para fazer compras melhores, mas denovo, para o pequeno investidor amador, vale mais a pena aportar mensalmente em valor diversificado e TRABALHAR para fazer mais dinheiro ao invés de perder muito tempo no home broker.
 
Isso é bastante óbvio.
 
O cara já demonstrou isso com uma caralhada de exemplos e estudos.
 
Não faço parte do "grupo religioso" de chatos que dominou o fórum dele e fica repetindo os mantras bastterianos. Porém ele está simplesmente certo.
 
Se eu me concentrar em tornar-me mais eficiente e em trabalhar mais, pra sobrar 2 mil reais no fim do mês ao invés de 1 mil, "cuidar da família" e gastar meu tempo em esportes e lendo um livro, vou acabar com muito mais patrimônio que se ficasse estudando valuation para fazer melhores escolhas de onde por o 1 mil que sobra. Se este não é seu caso, ótimo.
 
Preço IMPORTA. Mas pra mim não tanto.
 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bem Vindos à Era da Esterilidade (guest post)

Boa noite amigos, hoje inauguro aqui no Blog a seção dos posts de convidados. Um amigo da vida real, que quis se identificar como Barão de Eschwege escreveu um excelente artigo que tem tudo a ver com o momento atual da minha própria vida, pois eu decidi abandonar minha profissão e tornar-me um carpinteiro - fiquem ligados.
 
 
 Bem Vindos à Era da Esterilidade
Barão de Eschwege
 

Trabalhei durante anos com publicidade online, sempre senti uma inquietação, mas não sabia o que era, até que após meses desiludido com a carreira, fui demitido. O que foi excelente. Há 10 anos querendo viajar e morar fora, com uma certa quantia na conta, resolvi fazer isso e comprei uma passagem para 3 meses a partir dali. Nesse período me interessei por carpintaria, e como meu avô sempre trabalhou com isso, resolvi pedir para ele me ensinar o básico do ofício. Aí que estava o problema e finalmente entendi a minha frustração com a antiga carreira.

Em poucas palavras: Não era real! Nada do que eu fazia era real, eram coisas feitas no computador e que lá ficariam.

Isso tudo me fez pensar sobre a frustração, ansiedade e outros problemas que o mundo digital nos traz, o que me trouxe até esta conclusão: vivemos em uma era de esterilização.

Não sei dizer que convergência ou forças nos movem para esse caminho além do que pode se ler nos livros de história sobre revolução industrial e o que vem a partir disso, mas é um sentimento de que algo acontece sem que nos demos conta. Uma morte silenciosa, como um animal colocado em água fria numa panela à ferver.

O avanço da tecnologia, tirando obviamente todos os seus benefícios, traz consigo um outro lado: A digitalização e o afastamento do físico, do palpável. As pessoas estão desaparecendo como espíritos presentes, seja para o mundo, seja para o seu circulo íntimo de pessoas.

A arquitetura há muito tempo é pobre, decoração pobre com seus visuais clean, as pessoas tiram cada vez mais e mais fotos mas quase ninguém as imprime, ouvem músicas no Youtube ou Spotify, anotam seus recados no Evernote, OneNote etc, assistem filmes pela Netflix, leem livros no kindle e por aí vai.

Não estou dizendo para deixar de usar estes recursos, que são ótimos e que eu particularmente uso todos os dias, só falo para usar com moderação, não deixando que isso engula a sua vida.

Posso dizer com segurança que muitas pessoas se morressem hoje, suas memórias mal preencheriam uma caixinha de papelão. Você morre, praticamente recolhem as roupas e escova de dentes na sua casa e já está pronto para qualquer um ocupar aquele espaço como se você nunca tivesse existido. Hoje em dia tudo é descartável, até relacionamentos e pessoas!
 
 
Kindle é legal e prático, mas de quem é isso aqui?
 
A morte é um processo não só para quem morre, mas para os que estão ao seu redor também, e julgo ser importantíssimo deixar um impacto no mundo e na vida das pessoas. Deixar lembranças.

É legal que algum ente ou amigo, que após a sua passagem vá recolher as suas coisas, seja para vender, doar, guardar para si, consiga enxergar você no lugar onde você viveu. Livros, álbuns, souvenires, filmes, decoração... É parte da experiência de passar por este mundo. Preserve amizades. Conheço gente que muda totalmente o círculo de amigos a cada seis meses.

Veja bem, não estou dizendo para sair comprando desenfreadamente coisas para entulhar na sua casa de tralhas, isso é consumismo. Compre apenas o que julgar necessário e de preferência coisas que carreguem uma história e pessoas na sua compra. Evite coisas descartáveis, pense como se pensava até uns 100 anos atrás e dê preferência para coisas que foram feitas para durar.
 
 
 
Durável, personalizado


Se possível, faça você mesmo. Aprenda um hobby/ofício que te dê dinheiro. Trabalho artesanal com madeira, couro, metal. Você pode fazer coisas que durarão 100 anos ou mais, para você mesmo, para presentear pessoas que você gosta, para desestressar ou até ganhar uns trocados. Quem sabe, até mudar de profissão?

Você estará deixando a sua marca no mundo, nas vidas das pessoas e até mesmo fazendo um favor ao meio ambiente.
   
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O que o Eschwege escreveu me lembrou um pouco a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, mas não tem nada de Marxismo ai. Apenas um pouco do desespero que a desumanização que a vida moderna nos impõe. Vocês que acompanham o blog sabem que sou a favor de você produzir, ser prático e aprender todos os dias coisas úteis. No fim não se trata de dinheiro, e sim de que se você não fizer isso, só estará esperando para morrer.
 
Em breve minha mulher vai escrever sobre suas impressões da sua estadia na Itália, de quando esperava o fim de seu processo de cidadania.
 
 

sábado, 13 de maio de 2017

O papa argentino e o Grinch

Post rápido, sem enrolar com o que quase todo mundo sabe que anda acontecendo no mundo.
 
Em uma realidade onde o ateísmo baseado em cientificismo, niilismo e estímulo à condutas revolucionárias, além da ameaça do islã, o papa Francisco tem prestado enormes desserviços à Igreja Católica (e ao mundo livre), instituição que já salvou a civilização da escravidão tantas vezes.
 
Hoje ele está em Portugal por ocasião da romaria onde os fieis afirmam que Fátima apareceu para duas crianças como milagre. Como não podia deixar de ser, aproveitando o palanque político ante uma multidão de pessoas sem muito discernimento sobre certas opiniões, ele aproveitou para disparar diversas das suas esquerdices.
 
(link)
 
Este papa segue, de um modo ou de outro, a teologia da libertação. Ideologia latino-americana desenvolvida dentro da igreja com cunho comunista. A ideia desta gente é acusar a disparidade entre os homens como causa do sofrimento e retratar jesus como uma espécie de mártir socialista.
 
Ao pregar que a instituição católica deve ser pobre, e a favor da livre imigração de terroristas islâmicos (inimigos declarados da liberdade religiosa), o papa pode até preencher o ego dos admiradores da doutrina do ciúmes, mas acaba por enfraquecer cada vez mais o poder político da Igreja frente às relações de poder que se apresentam na atualidade.
 
Lembro de uma crítica ao conto de natal do Grinch que ouvi certa vez, dizendo que o mesmo ao se arrepender no final, ajudou todo mundo, deu presentes e etc, mas só pode fazê-lo por ser uma pessoa rica. Caso contrário seria apenas um pobre arrependido que não ia poder fazer muito pelos outros.
 
 
 
 
Não é hoje nem amanhã que a Igreja Católica vai ser destruída, mas provavelmente pouco a pouco através das próximas décadas, infiltrada e corroída por dentro por pessoas de moral duvidosa.

Deixa eu dizer uma coisa sobre "ser pobre nos meios e rica no amor". A despeito do mau ambiente que cresci, minha família era assim, e lhes garanto, não se chega muito longe num ambiente assim.

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os concursos públicos que prestei

Olá amigos, hoje vou contar sobre os concursos públicos que prestei durante a vida. Foram três, a contra-gosto pois  desde bastante tempo tenho aversão ao estado e ao funcionalismo público, mas estava tão na merda que vi os concursos como alternativa para ganhar um salário melhor e poder poupar.

Tenho um grande amigo que desde o começo da faculdade era estimulado a estudar para concursos e tem facilidade incrível para decoreba. Isto o levou a passar em um concurso anos atrás de auxiliar de qualquer coisa que lhe dava 1600 reais quando meu estágio pagava apenas R$ 330,00. Isso não me impressionava pois na época eu estava atrás de uma carreira e não de dinheiro. Minha vida estava relativamente fácil e a do amigo difícil. Acordava as 5 da manhã e viajava uma hora para trabalhar no seu cargo sem fururo.

Mais tarde ele usou de sua força de vontade e aproveitou que o governo do PT criava vagas em órgãos públicos todos os dias, e passou em outro que pagava R$ 2300,00 num órgão que defende o estado e processa empresas (muitas sacanagens do estado sei de primeira mão através de amigos funças). Na época era um bom salário que lhe proporcionava uma vida pujante pois ainda morávamos com os pais.

Isso também não me impressionava. Meus planos eram fazer intercâmbio e MBA e desenvolver-me ao máximo em minha carreira. Assim, terminei a faculdade e parti em busca de meus planos.

Ao retornar do exterior, só consegui empregos merda (não que eu não saiba que eles são a regra e não a exceção) e aquilo foi me cansando. Trabalhava como louco, viajei pra varios lugares atrás de empregos melhores e minha vida financeira não melhorava em nada.

Competir com funcionários públicos no Brasil é um jogo desleal, pois eles são uma casta favorecida como todos sabemos.

Como nunca quis tornar-me um, resolvi aproveitar que pedi demissão do trabalho no hotel (leia aqui) e testar-me na prova do Banco do Brasil que é fácil e não exigiria que eu me tornasse um "concurseiro" (o que considero um atestado de fracasso).

Estudei por quase dois meses e fiquei bem colocado na prova. Gostei do conteúdo, pois quase tudo eu já conhecia e aprendi alguns conceitos sobre o sistema financeiro. Feliz ou infelizmente não fui chamado, e decidi que a ideia de seguir trabalhando e prestando concursos para bancos e cargos com requisito segundo grau seriam um bom caminho para mim, pois se passasse e eventualmente fosse chamado, poderia decidir se aceitava ou não. 

Nesta época meu amigo já tinha passado em seu terceiro concurso, para um órgão público que muita gente almeja e acha ser bom trabalhar, o da pirâmide financeira. Segundo o que sei as condições são ruins, as fraudes e perigo de cometer erros e se dar mal também. Apesar disso tudo, haviam bons benefícios e o salário era legal a ponto de considerarmos esse amigo "aposentado" pois ia lá embaralhar papel 6h por dia e depois estava livre pra curtir seus 4k por mês.

Surgiu outro concurso do BB e tirei praticamente a mesma nota mesmo sem ter estudado muito. Logo depois prestei um da previdência social. O salário era muito bom, cerca de 6k por mês e tinha inglês na prova pra reprovar a concorrência. Considero que fui bem na prova mas também não fui chamado.

Minha conclusão disso tudo foi que eu deveria tornar-me um concurseiro caso quisesse passar nas provas em uma boa colocação, ao invés de ficar batendo na trave.

Tive a sorte de arrumar um bom emprego nessa época que me permitia aportar e investir em terrenos. Logo depois casei-me com minha mulher e nossos salários possibilitaram que nossa vida ficasse melhor, sem a necessidade de estudar para um concurso público.

É muito provável que se eu tivesse passado no do BB estivesse lá até hoje. O salário eram 1800 reais + 800 de vale alimentação. Com isso e a segurança do cargo provavelmente eu teria comprado um apartamento e tido um filho, ficando lá preso pra sempre. O bom desse tipo de cargo é que alguém esperto pode usá-lo de trampolim para concursos, ou oportunidades melhores. Pense nisso.

Apenas a título de curiosidade, esse meu amigo largou seu emprego para abrir sua própria empresa e se deu muito bem. Admiro muito a coragem. Ser corajoso é uma característica rara. Contei sua história para chegarmos a uma conclusão.

Agora que a fonte secou e o PT quebrou o Brasil com tantos funcionários públicos blindados e cheios de benefícios, apenas um seleto grupo de concurseiros profissionais mais espertos e com tranquilidade financeira tem chances de passar. Nada mais de aventureiros.

Mesmo assim, acho sensato prestar concursos em áreas que você se identifique, desde a idade que seja possível. Não estou recomendando que você mate seus sonhos e se torne um burocrata inútil na engrenagem estatal, mas ser financiado pelo estado quando jovem pode lhe colocar muitos kilometros à frente enquanto você persegue seus sonhos nas horas vagas.

Não adianta só dar dinheiro para a indústria do concurso público que se desenvolveu no Brasil, junto à gurus de estudo sabichões do sucesso, mas reservar uma grana para estudos e para a inscrição pode sim ser visto como interessante para um Capital Alocado à Risco.

Caso você passe e seja chamado em até dois anos, pode fazer um balanço de sua vida profissional e decidir se pega o emprego por um tempo, até achar algo melhor.