sábado, 9 de dezembro de 2017

Uma mão lava a outra - tenha cuidado com seus amigos

Olá amigos, esses dias li uma matéria da revista Exame que dizia que há um "novo modo" de fazer networking (aqui). Nem preciso dizer que não existe nada de novo em focar no longo prazo e que não transparecer ter interesses sombrios provavelmente vai funcionar melhor do que revelar suas intenções e ir direto aos negócios.

Isso ocorre por um motivo bastante simples. O ser humano é ciumento e mesmo que queira que você prospere, quer no mínimo os louros por ter te ajudado. Então ao invés de fazer business e ir embora de modo objetivo ele estressa a situação e cobra como pedágio ser bajudado seu amigo.

Como animal gregário que não sobrevive sozinho, as pessoas estão sempre te medindo (por isso essas perguntas pessoais como a idade aparece nos comentários) pra que no fim do dia escolha como merecedores de amizade (maior flexibilidade para favores) alguém que se identifica mais. Os que não atendem aos critérios serão ignorados.

Se quiser um exemplo claro disso veja documentários sobre a vida nas prisões americanas, onde desde o momento que o cara entra, começa a ser assediado e testado pra ver se vai se dobrar à alguma gangue.

Não existe esse altruismo proposto pela matéria. Alguém só faz algo pelos outros em busca de algum benefício, nem que seja satisfação pessoal. Leia Ayn Rand. Nós somos seres mafiosos e uma amizade nada mais é que uma relação supostamente despretensiosa que tem como fundo benefícios no longo prazo, e network sempre foi isso.

Veja o exemplo do Roberto Carlos, que "quer ter um milhão de amigos" mas só faz o show da virada por seus grandes amigos, os "dead presidents" (dinheiro).

Leia também:
(a arte de subornar) - post excelente do Burguês Inglório

A amizade é como uma poupança. Você deposita valores que não precisa agora pra retirar quando quiser no futuro. Por que motivo as pessoas preferem pagar mais caro um produto, se ele for vendido por um amigo? Qualquer comerciante sabe disso.

Don Vito Corleone é um personagem que sempre identificava os interesses ocultos das pessoas e lidava diretamente com eles. É a essência dessa negociação, focar na solução e não no problema. A pessoa gritando, gesticulando e falando bobagem é só a casca que transporta seus interesses e suprindo eles você vai obter o que deseja. Tudo é business independente da conotação negativa que a palavra possa ter nesse contexto.

Não é a "amizade" que faz as pessoas terem interesse em você e sim suas habilidades. Uma criança gosta dos pais por eles terem a habilidade de lhe alimentar e prover conforto. Um camarada gosta de você pois seu ouvido provavelmente é um penico pra ele. No momento que você deixa de ter habilidades interessantes, vira notícia velha. Os amigos, namorada e até parentes vão buscar associados melhores. 

Agora a dica de ouro é que você sempre vai precisar de alguém que lhe coloque dentro do esquema, de um trabalho ou promoção e provenha boas oportunidades. Ninguém oferece sociedade pra desconhecidos, por isso simplesmente viver se trata de fazer network e cuidar de sua reputação. Desde a escola secundária se deve ter muito cuidado com quem se diz seu amigo. Esses caras te ajudam a estudar pro vestibular de Engenharia e se importam com seus interesses empresariais,  ou te oferecem um baseado e te fazem gastar dinheiro e perder tempo? Pense nisso.

Já notou como somos moldados pela mídia e escola para sermos bandidinhos, malandros, viciados e consequentemente perdedores? Verdadeiros gangsters não caem nessa história e se mantém nerds caretas engravatados quando saem de casa e postam nas redes sociais. São mestres do teatro porque sabem se beneficiar disso. Esse BULLSHIT que as novelas mostram que os pobres são felizes por ser amigos de todo mundo leva o 90% perdedor a ter menos filtros na escolha de seus associados. 

Cara cumprimenta um ladrão pois ele é seu vizinho, visita a fofoqueira pois ela é simpática, namora a vadia pois ela tem beleza, fica no grupo de WhatsApp de putaria, e etc. Tudo atitude de perdedor.

Observe seus objetivos de longo prazo (5, 10 anos). Seus amigos estão neles? Eu deixei de andar com algumas pessoas pois meu objetivo é ter milhões em patrimônio, e o delas era simplesmente sobreviver e pagar as contas. Continuo gostando delas, mas manter relações destruiria meus planos.

Pessoalmente, nunca tive muitos amigos. No máximo meia dúzia. Sou muito seletivo com as pessoas que me relaciono e minha mulher até me critica por eu ter uma barreira enorme com gente nova e em transformar relações de trabalho em amizades. Isso ocorre porque, sem deixar a educação e cavalheirismo de lado para qualquer pessoa, até porque a poucos anos meus amigos eram TODOS BEM POBRES, considero perda de tempo e energia ir além da cordialidade com pessoas que não obtiveram sucesso. Eu estaria traindo uma regra clara usada pelos ricos (que dominam o capitalismo) de buscar interagir com e ter mentores vencedores.

Isso influencia na minha qualidade de vida (só tenho uma vida pra gastar) e no pão que vou deixar de por na mesa pros meus descendentes.

Parece mesquinho, mas uma empresa não patrocina qualquer atleta ou chama qualquer artista pra uma campanha (o oposto também ocorre). Profissionais do Marketing sabem que a qualidade da imagem dos dois tende a se aproximar, por isso rejeitam propostas milionárias de pessoas com problemas legais por exemplo. Isso não é pra ganhar mais dinheiro, e sim pra sobreviver.

Tenha cuidado com seus amigos.

33 comentários:

  1. Concordo contigo.
    Eu andava com todo o tipo de gente na minha juventude. Quando entrei para a faculdade, só mantive as pessoas que eu gostava ou que poderiam ser úteis.
    De uns 30 caiu para 6. Hoje são 4.
    Arrependimento ZERO.
    Abraço!

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  2. CF, vi esse comentário no seu post sobre fast-food:

    "- dão uniforme. Poderia escrever um livro sobre como isso é bom pra pobres pois tive dois empregos onde usei uniformes."

    Não vou te pedir pra escrever um livro rs, mas poderia escrever um post comentando sobre?

    Eu já tive quatro oportunidades de trabalho, entre estágios e até um emprego público. Em NENHUM deles me deram uniforme, até pedi, mas disseram que não tinham, que já tinha passado a época do ano que distribuíam, que meu cargo não precisava etc...Um dia fui inventar de usar crachá com meu nome igual os outros funcionários pra ter ao menos alguma identificação com o trabalho, e me fizeram de chacota ainda.

    Então, sem uniforme, não tinha nenhum "laço" a mais com o trabalho, invejava a identificação que os outros tinham e usavam, e pra completar surrava e sujava minhas pouquíssimas roupas boas de sair pra algum evento ou à Missa, durante o trabalho na semana.

    Enquanto tem muita gente que reclama de usar, eu sempre quis. Talvez o fast-food seja o primeiro lugar que possa me dar essa oportunidade mesmo. Fritas acompanha senhor?

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    1. Se você é pobre, comprar roupas pra trabalhar é um grande freio. E não estou falando de miseráveis, mas de pobres normais, esses que você provavelmente chama de classe média.

      Quanto menos preocupação o cara pobre tiver com seu emprego - fonte de renda pra pagar as contas - melhor. Isso inclui não precisar andar bem vestido com roupas civis, lavar, ter que comprar e não repetir roupas, etc.

      Pra quem tem um bom emprego onde vestir-se bem faz a diferença, não deve usar uniforme. Mas pro fodido que só quer cumprir seu horário e se preocupar com sua própria vida, usar uniforme é muito bom.

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    2. Olá tudo bem?
      Esse assunto de roupa dá muito pano pra manga, decidi usar basicamente um estilo sóbrio, estou sempre de preto ou cinza, poucas peças, além de não perdermos tempo com escolha diária, as chances de vc estar mal vestido diminuem e eu vejo como um "uniforme de sucesso que meu personagem usa".

      Até mais ver
      H.

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    3. Boa escolha. Profissionais devem se vestir de modo austero e prático. A não ser que sejam palhaços.

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  3. Muito bom seu texto, gosto do seu estilo de escrita, demonstra clareza de pensamento.

    Lento seu artigo fiz uma reflexão pessoal, a conclusão que chego é que nunca tive um amigo de verdade. Não que eu seja uma pessoa isolada do mundo, mas nunca cultivei aqueles laços íntimos de ficar chamando a pessoa para sua casa, chamar para um jantar de casal, etc. Considero que tenho colegas, pessoas que saio de vez em quando para tomar uma cerveja ou compartilho alguma coisa via email ou outra mídia qualquer. No final das contas acho que sou anti-social mesmo, tanto que abomino este tal de Whats App, quero passar desapercebido. Mas ao mesmo tempo tem algo paradoxal aí, pois sou blogueiro e interajo com centenas de pessoas que nem conheço, talvez seja isto, preço os laços virtuais, nada mais.

    Abraço!

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    1. Olá Uó, obrigado pelo elogio.

      Se tem dado certo pra você ter mais interação com os outros online, não tem problema a principio.
      Foda que a internet pra você é um negócio, e ai tem que se relacionar com todo tipo de idiota.

      Abraço!

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    2. Não acho que você seja o problema, é exatamente o que ele disse: "depende das suas habilidades ou o que você pode proporcionar aos outros".

      Se por ex. as pessoas soubessem que você tem um patrimônio considerável, é bem entendido de finanças e demonstra seu poder financeiro publicamente, não tenha duvidas que inúmeros convites para ir até a casa das pessoas, seria lembrado quase sempre, etc.

      Um ex. bem chulo seria aquele "amigão" que tem carro ou casa boa para festas/sociais, quase sempre o cara é lembrado.

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  4. Acha melhor apostar em outras moedas digitais? Bitcoin já deu o que tinha que dar. Tá louco, 53 mil cada um.

    Tem moeda por 400 reais cada, outras por 100, e assim vai. Tem até por 20 reais.

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    1. Cara, não posso te ajudar. Veja meu caso, eu tive 2btc e vendi quando estava andando de lado pelos 3k.
      Faça seu próprio estudo. Não sei muito de moedas digitais.

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  5. Bom texto.

    No trabalho também tenho "colegas" que querem apenas sobreviver, mas querem sobreviver gastando mais do que ganham.

    Essas pessoas as vezes se tornam até toxicas e sempre fico atento para não me contaminar.

    Abs

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    1. Querer todo mundo quer, mas pagar o preço poucos pagam!

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  6. Mais um bom post pra digerir aos poucos e pensar bastante a respeito...
    Às vezes me sentia meio "sociopata" quando pensava apenas racionalmente na hora de criticar e me afastar de certos amigos e até parentes que não acrescentam nada, mas o tempo tem me dado razão na grande maioria dos casos.
    Tudo na vida deve ser constantemente reavaliado, até as relações mais íntimas. Aquilo que não te serve mais por algum motivo ou ainda te causa algum prejuízo (financeiro, emocional, etc), deve fazer parte da "faxina", mais cedo ou mais tarde.
    Sou bem alinhado com sua linha de raciocínio, mantenha esses posts que têm sido de grande valia pra quem te acompanha.
    Grande abraço!

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  7. Rapaz no meu trabalho ja teve colega que disse que eu estava trabalhando demais, pra que trabalhar tanto se tem gente que trabalha menos e ganha mais?
    Olha a ideia do pessoal.
    Comenta so re isso c.f..
    Abraco e adoro teu blog.

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    1. Isso é complicado cara. Quando se é empregado a gente tem que trabalhar mais que os outros pra se manter no emprego. Quando se é chefe tem que trabalhar mais pois tem coisas que ninguém faz por você.
      Acho que sua teoria só funciona quando se é funça blindado. Ai não tem porque trabalhar mais que o mínimo pra não ser punido pois não vai ganhar nada por isso.

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  8. Eu já trabalhei em lugares, em que o pessoal do trabalho pareciam melhores amigos, mas depois que um ou outro é demitido, ninguém olha na cara, por isso que eu digo, que trabalho não é lugar para amigos !!

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  9. Olá CF,

    Excelente post.
    Eu tenho colegas, agora amigos mesmo acho que alguns de meus irmãos. Hoje na cidade onde eu moro, apenas tenho colegas, tenho contatos com eles apenas no trabalho.

    Abraços.

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    1. É, não da pra confundir as coisas. As pessoas tem se colocado em desvantagem por "amizades". Não faz sentido.

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  10. Mais um excelente post, CF.

    Clareza, objetividade e nenhum mimimi. Direto ao ponto, sem meias palavras. Estou me tornando um ávido leitor do seu blog, pois identifico muitos pontos em comum. Ser humano como sou, é muito bom se relacionar - mesmo que de forma digital - com pessoas que buscam os mesmos objetivos.

    Forte abraço e boa viagem de volta para o Brasil!

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  11. Resumindo, você é a média das pessoas com quem mais anda. E aí o que você quer? Ser rico e poderoso, ou ser pobretão e fracassado? A escolha é sua!

    Muito bom seu texto C.F.

    Abraços!

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  12. Excelente! Minha linha de raciocínio vem sendo esta desde a adolescência.
    Fiquei fora da minha cidade natal por quase 2 anos e quando voltei meus contatos foram reduzidos a menos que 5%.
    Não que isso tenha feito alguma diferença,afinal estou na casa dos 20 e maioria dos meus pares por aqui são fodidos em subempregos ou fodidos cheios de filhos.
    Hoje meu círculo social é razoável, sempre tem algo pra fazer aqui e ali(quando disposto a gastar $$$), mas sempre sigo consciente que a única utilidade deles é me distrair.
    _________________

    Achei interessante o amigo ali em cima ter tocado no ponto do uniforme, isso é algo que realmente faz diferença quando somos pobres. Atualmente trabalho em um local comercial e já senti no bolso por ter que comprar 5 camisas e 2 calças sociais, afinal todos nesse ambiente "empresarial" só andam muito bem arrumados e perfumados.

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    1. A maioria dos meus conhecidos de infância e juventude está ferrada, e temo que não seja por que é o que acontece com a maioria pois vejo oportunidades na vida de todos eles. A maioria foi preguiçosa pra estudar o que deixa rico e correr atrás. Em minha visita ao Brasil não vou ver nenhum deles, apenas a meia dúzia que prosperou.

      Comprar roupas com o intuito de trabalhar é uma grande desvantagem.

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  13. Mais um excelente texto.

    Gosto muito dos seus textos.

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  14. CF,

    Me identifiquei muito com seu post, pois também sou muito seletiva em relação á amizades.

    Querendo ou não, influenciamos e somos influenciados o tempo todo - por pessoas, por lugares, por tudo. Para o bem e para o mal, para o crescimento pessoal genuíno ou para a manutenção de uma vida medíocre.

    Parece até algo bobo, sem tanta importância, mas precisamos sim, tomar muito cuidado com quem faz parte de nossa vida.

    Não sei se você viu meu post sobre o assunto:
    https://simplicidadeeharmonia.blogspot.com.br/2017/10/voce-e-o-resultado-das-pessoas-com-as.html

    Abraços,

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