quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carro, o maior passivo do brasileiro

Para sair da linha da miséria (você verá no próximo post minha metodologia própria de classificação) a contabilidade básica ensina a milhares de anos a diferença entre ativos e passivos, e que adquirir passivos é RUIM para você.

A grande diferença entre um ativo e um passivo é que o passivo retira grana do seu bolso ou desvaloriza, e o ativo faz o contrário, coloca dinheiro no seu bolso ou sofre valorização.

O automóvel a muito tempo é o passivo que mais se desvaloriza e escraviza a pessoa comum a pagar prestações eternamente, uma verdadeira armadilha pois, apesar do gerente do banco listar como um ativo quando você chega lá pra pegar empréstimos aos juros brutais praticados no Brasil, você jamais deve crer que ele é de fato um ativo (ou de fato seu até terminar de pagar), além de sua utilidade limitadíssima que se resume a carregar você pro trabalho ou para lugares onde vai gastar dinheiro que não tem.

Carro popular no Brasil...

O grande lance do carro é que ele é uma ferramenta poderosa para tirar dinheiro de sua família e colocar no bolso de terceiros. Quando você assina um contrato de compra de um carro, está tirando dinheiro do seu bolso e colocando no bolso do dono da loja, da montadora, do estado corrupto, do funcionário do posto de gasolina, da Petrobras corrupta, do borracheiro, do lavador de carros, do cobrador-de-impostos-não-sindicalizado (flanelinhas) e fazendo funcionar todo um sistema pelos anos à seguir.

Não me leve a mal, as pessoas tem que comprar bens fazer a economia girar. A questão é que comprar um carro é ótimo, pra todo mundo, menos pra você.

Este esquema nefasto não acaba quando você acaba de pagar o carro, pois atualmente o ato de efetivamente terminar de pagar o carro é um engodo. Ao acertar a forma de pagamento, você deve apenas compreender que está assumindo prestações de "X" por alguns anos, ou seja, até entregar seu carro desvalorizado na revenda e pegar um mais novo, novamente assumindo um valor "Y" como prestação.

Isto ocorre por causa da lendária Obsolescência Programada. Quando uma grande indústria lança um produto, ele já está obsoleto. Já existe um susbtituto a ser lançado anos ou meses mais à frente (isto se observa muito nos setores em que se leva em conta a tecnologia.

Outra coisa que o comprador do carro é hipnotizado à ignorar, é que ele vai ter que pagar:
- Seguro contra roubo (se te roubarem o carro já era, vai ter que pagar até o fim);
- Seguro contra acidentes (se você bater e não tiver seguro, tem que ter dinheiro sobrando pra pagar o seu carro e o do terceiro);
- Guincho;
- Gasolina (no Brasil a Petrobrás corrupta, e não o mercado, decide quem vive e quem morre, portanto, espere pagar cada vez mais pra sustentar funcionários públicos e o PT);
- Carteira de motorista (o preço de um pedaço de papel completamente inútil é um verdadeiro absurdo, e ninguém aprende a dirigir em 15 aulas de CFC);
- Multas (mais um braço da máfia estatal);
- Manutenção (depois que acabar o seguro, vai ter que pagar CARO pra manter o carro rodando);
- Limpeza (se não lavar as peças estragam e ele desvaloriza mais pois até a estética é afetada, e lembre que lavar o carro com mangueira é crime em alguns lugares, portanto terá que pagar lavagens caras);
- Pintura quando riscarem;
- Garagem;
- Estacionamento.

Leve em consideração que terá que andar em ruas engarrafadas e bastante esburacadas, dar carona para gente chata, e andar em velocidade ridiculamente baixa na estrada.

A velocidade na estrada do Brasil também é ditada pela qualidade do produto que dispomos. Conheci um engenheiro de segurança de uma grande empresa que disse ter sido contratado não para prover segurança aos veículos, mas para adaptar os projetos à legislação vigente no país. O que ele fazia, na prática, era estudar maneiras de diminuir o custo de produção retirando itens de segurança que na Europa eram obrigatórios. Portanto, ao comprar um carro aqui você não só está comprando uma versão menos completa que os de fora, mas comprando algo perigoso.



Na hora da venda, o poder de barganha é totalmente do sistema. Você tem pouco a negociar, pois existem centenas de milhões de pessoas com automóveis exatamente iguais ao seu, apesar de que, quando você comprou, te venderam como se fosse um item exclusivo. Então não adianta nada você ficar espantado quando te oferecerem um valor ridículo pela banheira quando você pagou 5x mais.

Carros de cores estranhas valem menos na hora de revender.

Ao sair da loja, ele não vale nada, por isto fiz uma comparação com o uso ostensivo de caminhadas (pessoas com pena de si mesmas vão dizer que é longe pra caminhar) onibus e taxi, bastante parecida com a clássica comparação entre comprar um imóvel próprio e viver de aluguel. Para a maioria dos brasileiros o carro é uma péssima escolha.
Deve-se levar em conta se comprar o bem não serve apenas pra poder dizer que é dono de algo.

Além de todo o exposto acima, o motorista não resiste em ficar mais imerso na cultura automotiva, aí compra um som barulhento, luzinhas, adesivos, penduricalhos, e alguns até destroem a suspensão rebaixando-o.

Por coincidência encontrei um site interessante que calcula a desvalorização média do seu carro:

www.carromonstro.com.br

A decisão de comprar ou não um carro é sua, pois o brasileiro é um povo que pode viver eternamente em débito. Lembre que manter um carro pode ser mais caro que manter um imóvel residencial, portanto não reclame se você viver na pobreza e tiver um automóvel.

9 comentários:

  1. Primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo blog. Gostei muito do texto sobre esse passivo terrível que são os carros, você explicou muito bem como a coisa funciona. Eu mesmo me desfiz do meu justamente por causa disso. Observei custos desnecessários e prejudiciais para o meu objetivo financeiro dado o meu salário atual.
    No seu texto eu vi um pouco de uma aula que tive na faculdade e um pouco do livro do pai rico pai pobre que eu presumo que você já tenha lido. casa não, eu recomendo. Enfim, gostei do seu blog e vou adicioná-lo no meu blogroll. Parabéns e sucesso.
    $$$

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  2. Obrigado! Vou adicionar seu blog ao meu também.
    Já li Pai Rico Pai Pobre e considero excelente.
    Um abraço

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  3. Totalmente de acordo. Carro é visto pela maioria como a demonstração de poder aquisitivo para o outro, sinônimo de sucesso com mulheres, a questão da necessidade mesmo está ficando para trás. Pra vc quando é hora de comprar um carro, somente depois da aquisição de bons ativos?

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    1. Pra mim só se deve comprar um carro em caso de extrema necessidade, quando não for possível usar outro meio de transporte ou andar a pé.
      Sempre lembro do livro pai rico pai pobre onde o autor bate muito na tecla de que os ricos passam a vida toda comprando ativos e os pobres comprando passivos que acham ser ativos.

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  4. O que ele fala teoricamente está certo. Mas a questão é saber se o autor desse texto usa carro. Eu já vi muito palestrante de “motivação”, dizer que carro e casa são passivos, ou seja tiram dinheiro do Bolso. E já vi alguns até chamarem de otário quem compra carro. Mas olhe pra vida deles, e veja como eles tem carro, casa e outros bens. Na verdade tem Bens quem Pode.

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    1. Quem puder sustentar, pode ter o que quiser.

      Lembrei de uma história do filho da empregada da minha avó que comprou uma caminhonete usada por uns 60 mil reais e teve de devolver por falta de pagamento. Meu avô criticou a compra, pois o salário dele era baixo e eles tinham outras prioridades (reformar a casa e qualificar-se), mas ele deu um jeito. Sabe o que a mãe do rapaz dizia ironicamente? "é, pra vocês o pobre não tem direito de ter carro".

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  5. CF,

    O brasileiro tem uma relação muito peculiar (e muitas vezes até estranha) com os automóveis.
    Status, poder, liberdade - palavras atribuídas à esse item, que na realidade é um passivo muito caro.

    "O grande lance do carro é que ele é uma ferramenta poderosa para tirar dinheiro de sua família e colocar no bolso de terceiros."
    Você tem algumas frases curtas, diretas e de grande impacto. Gostei dessa aqui!

    Achei absurdo o que você falou sobre o engenheiro de segurança.
    As empresas querem enxugar os custos de produção o máximo possível e no Brasil, isso pode ser feito mesmo que seja retirando itens de segurança importantes.
    Além disso, chegam a ser surreal a % de impostos sobre esse produto tão desejado talvez por 8 entre 10 brasileiros.

    Sobre a obsolescência programada, eu fiz um post sobre o assunto, com um vídeo (que talvez você conheça).
    Se quiser ver:
    https://simplicidadeeharmonia.blogspot.com.br/2015/05/obsolescencia-programada-voce-sabe-o.html


    Abraços,

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    1. Obrigado pelo comentário Simplicidade. Vou ler sim e adicionar seu blog.

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    2. Agradeço por ter adicionado meu blog aqui. :)

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