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sábado, 4 de junho de 2016

Jamais deixe usarem seu nome!

Hoje vou contar uma anedocta que adoro, como sempre com uma lição que considero importante.

A muito, muito tempo atrás meu pai teve uma empresa e meu avô, acostumado a tratar com gente de palavra, foi o avalista. Meu pai nunca teve todo o conhecimento necessário pra gerir uma empresa daquele porte (lembrem da parte do O Homem Mais Rico da Babilônia em que o prestamista desaconselha a dar dinheiro pra gente assim).

Isso logicamente culminou anos depois em um grande prejuízo que fez meus avós venderem parte de um campo e gado que receberam de herança e meus pais ficarem com o nome sujo por anos. Tudo porque, a partir do momento em que você assina algo pelos outros se torna solidário, e pode ter certeza que o preço que vai pagar é sempre caro demais.

Meu pai é um advogado porta de cadeia bastante picareta, e apesar de eu cultuar a importância da família tradicional como instituição contra o marxismo detesto alguns familiares, ele incluso. Aos 17 anos saí de casa e fui morar com meus avós (muito queridos) pois meu ambiente familiar era longe do ideal, aos 20, fui morar sozinho, e aos 23 voltei a morar com minha mãe por um tempo quando ela finalmente se divorciou, pra poupar o aluguel.

Bem, uma das tretas foi, por qualquer motivo obscuro, a insistência dele em colocar um "fuca" que provavelmente havia recebido como pagamento de um cliente presidiário em meu nome, mesmo eu não falando com o velho já a alguns anos.


A fubica era parecida com essa


Jamais esquecerei do dia. Eu já morava com meus avós e meus pais foram juntos lá. Quando cheguei da empresa em que fazia estágio eles estavam sentadinhos, de modo bem educado e formal, parecia que estavam pedindo empréstimo pra gerente de banco. Senti o cheiro de picaretagem no ar.

Isso foi totalmente estranho pois meu pai nunca se deu bem com os sogros. Eu sabia que era algo comigo e fiquei por lá comendo um sanduíche e aguardando pacientemente o inimigo encontrar a morte em minha falange de escudos e lanças.

Mastigava lentamente e com os olhos fixos no lixo da televisão que transmitia alguma novela imunda, até que minha mãe, que já havia ensaiado seus argumentos, chama minha atenção. Virei para eles como o olhar Grimch da imagem abaixo.

Pois não?


- Vamos passar o fusca pro teu nome blablablablablabla. Disse.
- Não. - Respondi.
- Como não? blablablablablablabla. Por que não? Insistiu.
- Porque não quero. Falei.

Ai começou a me acusar de ser mal agradecido e tentar me acusar de ser insensível, gente ruim e coisas assim, perdendo o controle e a razão (coisa triste não?). Meu pai viu que não conseguiriam nada ali e foram embora. Meus avós não intervieram e me deram toda razão.

As primeiras coisas que me ocorreram com essa proposta indecente foram:

1. Eles não teria obrigação alguma de pagar o IPVA (e certamente meu pai não iria fazê-lo).
2. Atropelarem alguém com o carro ou cometerem qualquer crime e eu responder por isso.
3. Eu ter a CNH caçada por levarem multas de excesso de velocidade.
3. Eu não ganhar nada com isso e servir de laranja pra alguém lucrar com meu nome.

O que não me ocorreu foi eu aceitar, pegar o carro pra mim e vendê-lo, pois sempre primei por ser totalmente honesto.

Jamais assine nada por ninguém ou deixe fazerem contas em seu nome. Nunca seja avalista ou fiador, nem de sua própria sombra. Amigos amigos, negócios à parte. Ajude os outros mas não coloque o fardo deles em suas costas!

No ano seguinte o carro estava cheio de multas e arrebentado pois meu irmão quem o dirigia de modo descuidado, e o IPVA estava atrasado. Inclusive ele perdeu a carteira por causa deste mesmo carro... Minha carteira de motorista foi paga por mim, com dinheiro poupado com sacrifício (nunca usei depois de tirar pois nunca tive carro).


Quando soube do destino do carro.


Sempre fui muito cuidadoso em assinar qualquer coisa, fazer dívidas e comprar passivos. Meus familiares tiveram mais tempo e melhores oportunidades que eu e infelizmente são fodidos por suas próprias escolhas.

Grande abraço e bons lucros!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carro, o maior passivo do brasileiro

Para sair da linha da miséria (você verá no próximo post minha metodologia própria de classificação) a contabilidade básica ensina a milhares de anos a diferença entre ativos e passivos, e que adquirir passivos é RUIM para você.

A grande diferença entre um ativo e um passivo é que o passivo retira grana do seu bolso ou desvaloriza, e o ativo faz o contrário, coloca dinheiro no seu bolso ou sofre valorização.

O automóvel a muito tempo é o passivo que mais se desvaloriza e escraviza a pessoa comum a pagar prestações eternamente, uma verdadeira armadilha pois, apesar do gerente do banco listar como um ativo quando você chega lá pra pegar empréstimos aos juros brutais praticados no Brasil, você jamais deve crer que ele é de fato um ativo (ou de fato seu até terminar de pagar), além de sua utilidade limitadíssima que se resume a carregar você pro trabalho ou para lugares onde vai gastar dinheiro que não tem.

Carro popular no Brasil...

O grande lance do carro é que ele é uma ferramenta poderosa para tirar dinheiro de sua família e colocar no bolso de terceiros. Quando você assina um contrato de compra de um carro, está tirando dinheiro do seu bolso e colocando no bolso do dono da loja, da montadora, do estado corrupto, do funcionário do posto de gasolina, da Petrobras corrupta, do borracheiro, do lavador de carros, do cobrador-de-impostos-não-sindicalizado (flanelinhas) e fazendo funcionar todo um sistema pelos anos à seguir.

Não me leve a mal, as pessoas tem que comprar bens fazer a economia girar. A questão é que comprar um carro é ótimo, pra todo mundo, menos pra você.

Este esquema nefasto não acaba quando você acaba de pagar o carro, pois atualmente o ato de efetivamente terminar de pagar o carro é um engodo. Ao acertar a forma de pagamento, você deve apenas compreender que está assumindo prestações de "X" por alguns anos, ou seja, até entregar seu carro desvalorizado na revenda e pegar um mais novo, novamente assumindo um valor "Y" como prestação.

Isto ocorre por causa da lendária Obsolescência Programada. Quando uma grande indústria lança um produto, ele já está obsoleto. Já existe um susbtituto a ser lançado anos ou meses mais à frente (isto se observa muito nos setores em que se leva em conta a tecnologia.

Outra coisa que o comprador do carro é hipnotizado à ignorar, é que ele vai ter que pagar:
- Seguro contra roubo (se te roubarem o carro já era, vai ter que pagar até o fim);
- Seguro contra acidentes (se você bater e não tiver seguro, tem que ter dinheiro sobrando pra pagar o seu carro e o do terceiro);
- Guincho;
- Gasolina (no Brasil a Petrobrás corrupta, e não o mercado, decide quem vive e quem morre, portanto, espere pagar cada vez mais pra sustentar funcionários públicos e o PT);
- Carteira de motorista (o preço de um pedaço de papel completamente inútil é um verdadeiro absurdo, e ninguém aprende a dirigir em 15 aulas de CFC);
- Multas (mais um braço da máfia estatal);
- Manutenção (depois que acabar o seguro, vai ter que pagar CARO pra manter o carro rodando);
- Limpeza (se não lavar as peças estragam e ele desvaloriza mais pois até a estética é afetada, e lembre que lavar o carro com mangueira é crime em alguns lugares, portanto terá que pagar lavagens caras);
- Pintura quando riscarem;
- Garagem;
- Estacionamento.

Leve em consideração que terá que andar em ruas engarrafadas e bastante esburacadas, dar carona para gente chata, e andar em velocidade ridiculamente baixa na estrada.

A velocidade na estrada do Brasil também é ditada pela qualidade do produto que dispomos. Conheci um engenheiro de segurança de uma grande empresa que disse ter sido contratado não para prover segurança aos veículos, mas para adaptar os projetos à legislação vigente no país. O que ele fazia, na prática, era estudar maneiras de diminuir o custo de produção retirando itens de segurança que na Europa eram obrigatórios. Portanto, ao comprar um carro aqui você não só está comprando uma versão menos completa que os de fora, mas comprando algo perigoso.



Na hora da venda, o poder de barganha é totalmente do sistema. Você tem pouco a negociar, pois existem centenas de milhões de pessoas com automóveis exatamente iguais ao seu, apesar de que, quando você comprou, te venderam como se fosse um item exclusivo. Então não adianta nada você ficar espantado quando te oferecerem um valor ridículo pela banheira quando você pagou 5x mais.

Carros de cores estranhas valem menos na hora de revender.

Ao sair da loja, ele não vale nada, por isto fiz uma comparação com o uso ostensivo de caminhadas (pessoas com pena de si mesmas vão dizer que é longe pra caminhar) onibus e taxi, bastante parecida com a clássica comparação entre comprar um imóvel próprio e viver de aluguel. Para a maioria dos brasileiros o carro é uma péssima escolha.
Deve-se levar em conta se comprar o bem não serve apenas pra poder dizer que é dono de algo.

Além de todo o exposto acima, o motorista não resiste em ficar mais imerso na cultura automotiva, aí compra um som barulhento, luzinhas, adesivos, penduricalhos, e alguns até destroem a suspensão rebaixando-o.

Por coincidência encontrei um site interessante que calcula a desvalorização média do seu carro:

www.carromonstro.com.br

A decisão de comprar ou não um carro é sua, pois o brasileiro é um povo que pode viver eternamente em débito. Lembre que manter um carro pode ser mais caro que manter um imóvel residencial, portanto não reclame se você viver na pobreza e tiver um automóvel.